Escritório de filho de Fux recebeu 100x mais casos no STF e STJ desde posse do pai na corte

Atuação de Rodrigo Fux em tribunais superiores cresce após Luiz Fux assumir vaga no Supremo; levantamento aponta salto de 5 para 544 processos.

Escritório de filho de Fux recebeu 100x mais casos no STF e STJ desde posse do pai na corte

A atuação do advogado Rodrigo Fux nos tribunais superiores registrou um crescimento expressivo após a posse de seu pai, Luiz Fux, no Supremo Tribunal Federal (STF), em março de 2011. Levantamento aponta que o número de processos com participação do advogado no STF e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) saltou de cinco para 544 desde então.

De acordo com os dados, 99% das ações em que Rodrigo Fux atuou nessas duas cortes passaram a tramitar após a chegada de Luiz Fux ao Supremo. No STF, 48 dos 49 processos com atuação do advogado tiveram início depois da posse do ministro. No STJ, o mesmo padrão se repete, com 496 de 500 casos registrados no período posterior.

O escritório Fux Advogados foi fundado em 1994 e a primeira atuação de Rodrigo Fux em tribunais superiores ocorreu em 2009. Entre os clientes representados pelo advogado em ações no STF e no STJ estão grandes empresas e instituições, como Petrobras, YDUQS, British American Tobacco, Avon, Google e o Clube de Regatas do Flamengo.

Atualmente, apenas um processo com atuação de Rodrigo Fux segue em tramitação no STF. Trata-se de uma reclamação constitucional relatada pelo ministro André Mendonça, com decisão liminar favorável ao cliente representado pelo escritório. O ministro Luiz Fux declarou impedimento em processos envolvendo o escritório do filho.

Procurado, Rodrigo Fux afirmou que o escritório sempre atuou nos processos desde a origem da causa e que não aceita contratações para atuar em ações já em fase de tramitação nos tribunais superiores. Segundo ele, mais da metade dos processos chegou ao STF por iniciativa da parte contrária e apenas quatro tiveram o mérito julgado na Corte.

A situação se insere em um contexto mais amplo observado nos tribunais superiores, em que familiares de ministros que exercem a advocacia ampliaram sua atuação após a posse de parentes no STF, conforme levantamentos recentes sobre o tema.