Esquerda silencia sobre Irã enquanto milhares morrem

Enquanto protestos no Irã deixam um rastro de mortes, setores políticos que criticam consoante os EUA evitam condenar o regime teocrático e sua repressão feroz

Esquerda silencia sobre Irã enquanto milhares morrem

O levante popular que sacode o Irã desde o final de dezembro de 2025 já deixou milhares de mortos em confrontos com as forças de segurança, segundo grupos de direitos humanos que monitoram os protestos e denunciam a violência estatal. O movimento começou como uma reação à crise econômica e à inflação crescente, mas rapidamente evoluiu para um clamor mais amplo por mudança no sistema político e pelo fim das políticas rígidas do regime teocrático de Teerã.

Apesar da gravidade da situação em solo iraniano, parte significativa da esquerda política brasileira tem se mantido em silêncio ou optado por posições neutras, evitando críticas diretas ao governo iraniano. Em declarações oficiais, o Itamaraty lamentou as mortes e disse que cabe aos iranianos decidir o futuro de seu país, sem condenar explicitamente a repressão do regime de aiatolás.

Esse posicionamento discreto contrasta com as críticas frequentes que setores progressistas no Brasil dirigem a políticas de potências ocidentais, como os Estados Unidos, e acende um debate sobre coerência e prioridades. Ao mesmo tempo em que denunciou externalidades — como declarações de líderes americanos incentivando protestos e intervencionismo — pouca atenção tem sido dada à magnitude da violência interna no Irã e às responsabilidades diretas do regime na escalada das mortes.

A omissão ou hesitação em se posicionar de forma mais firme tem sido alvo de questionamentos inclusive nas redes sociais, onde analistas e cidadãos apontam a necessidade de solidariedade clara às vítimas e de uma postura que não relativize violações de direitos humanos, independentemente do contexto geopolítico.

À medida que os protestos continuam e o número de mortes cresce, o debate sobre a resposta política externa ganha novo fôlego no Brasil, desafiando defensores de diferentes espectros ideológicos a esclarecer onde traçam seus limites entre crítica a potências estrangeiras e denúncia de regimes autoritários.