
O ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB) elevou o tom das críticas à condução das contas públicas do estado durante a gestão de Romeu Zema (Novo) e classificou como um “calote autorizado” a suspensão dos pagamentos da dívida mineira com a União nos últimos anos.
Em entrevista ao programa Café com Política, Azeredo afirmou que as decisões judiciais que permitiram o adiamento dos pagamentos deram um alívio temporário ao caixa estadual, mas contribuíram para o crescimento do passivo devido à incidência de juros sobre o montante acumulado.
Segundo o ex-governador, a dívida atual de Minas Gerais precisa ser analisada levando em consideração a origem dos empréstimos feitos por administrações anteriores. Para ele, contratos firmados em governos passados tiveram como objetivo financiar investimentos públicos, enquanto a estratégia adotada nos últimos anos teria apenas postergado uma solução definitiva para o problema fiscal.
“Zema viveu, durante quatro anos, um calote autorizado. As dívidas anteriores que foram feitas por mim, por Aécio, por Anastasia e por outros governadores financiaram obras e investimentos. A dele não. Foi uma dívida que cresceu só pelos juros, simplesmente porque deixou de ser paga”, afirmou.
A declaração ocorre em meio ao debate sobre o futuro financeiro de Minas Gerais, que possui uma das maiores dívidas estaduais do país com a União, superior a R$ 200 bilhões. A busca por um acordo sustentável para o pagamento do débito deve ser um dos principais desafios da próxima gestão estadual.
Azeredo argumenta que o governo mineiro teve oportunidades para construir uma negociação mais ampla durante o período em que manteve proximidade política com o governo federal, especialmente durante a administração do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na avaliação do tucano, a estratégia adotada priorizou o adiamento da questão em vez de uma solução estrutural.
O ex-governador também contestou críticas feitas a administrações anteriores, responsáveis por parte da formação do atual passivo. Segundo ele, os recursos contratados no passado foram destinados a obras de infraestrutura, saúde, transporte e outros investimentos que permanecem incorporados ao patrimônio público.
“O dinheiro foi aplicado em obras que estão aí até hoje. É diferente de simplesmente deixar a dívida crescer porque ela deixou de ser paga”, declarou.
A discussão sobre o endividamento estadual voltou ao centro da agenda política mineira em meio à proximidade das eleições de 2026. O tema fiscal deve ser um dos principais pontos de debate entre os candidatos que disputarão o comando do estado.