Ex-homem de confiança de Bolsonaro, Ciro Nogueira agora é renegado pelo Bolsonarismo

A operação da Polícia Federal que colocou o senador Ciro Nogueira (PP-PI) no centro das investigações sobre o caso Banco Master começou a provocar efeitos políticos imediatos dentro do campo bolsonarista. Antigo aliado estratégico do ex-presidente Jair Bolsonaro, o parlamentar passou a enfrentar resistência pública e privada entre lideranças conservadoras que, até recentemente, o tratavam como peça importante da articulação nacional da direita.
Nos bastidores de Brasília, aliados do ex-presidente passaram a evitar associar Ciro diretamente ao bolsonarismo. A mudança de postura ocorre após o avanço das investigações que apuram suposto uso do mandato parlamentar para favorecer interesses ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro.
A deterioração da relação chama atenção pelo histórico recente de proximidade entre Ciro e Bolsonaro. O senador ocupou a Casa Civil no governo anterior e foi um dos principais articuladores políticos da gestão no Congresso Nacional. Em diversos momentos, atuou como ponte entre o Palácio do Planalto e setores do Centrão.
O desgaste ganhou força principalmente após integrantes da direita começarem a tratar Ciro como um aliado circunstancial, e não mais como integrante orgânico do bolsonarismo. A leitura dentro de setores conservadores é de que a crise envolvendo o Banco Master ampliou o desconforto político em torno do senador.
Até pouco tempo atrás, o nome de Ciro Nogueira chegou a ser cogitado para compor uma eventual chapa presidencial ao lado de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em 2026. O próprio senador fluminense já havia elogiado publicamente o aliado e destacado sua capacidade de articulação política.
Agora, porém, o ambiente mudou. O avanço das investigações e o temor de desgaste eleitoral fizeram parte da direita reorganizar posições e aumentar o distanciamento em relação ao parlamentar piauiense.
A movimentação também revela como o cenário político de 2026 começa a ser moldado não apenas por alianças, mas pela tentativa de diferentes grupos preservarem suas imagens diante de crises sucessivas envolvendo figuras influentes de Brasília.