Ex-Nora de Lula atuava como lobista no Palácio do Planalto, aponta investigação

Uma investigação da Polícia Federal aponta que Carla Ariane Trindade, ex-nora do presidente Lula, atuou como lobista dentro do Palácio do Planalto entre 2023 e 2025, ao lado do empresário Kalil Bittar, ex-sócio de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Ambos são alvos da Operação Coffee Break, que apura a venda de influência em Brasília.
De acordo com reportagem do portal UOL, Carla e Bittar estiveram ao menos dez vezes no Planalto no período investigado. As entradas foram registradas apenas na portaria, sem constar nas agendas oficiais do Executivo, o que reforça a suspeita de encontros informais e fora dos canais institucionais.
As apurações indicam que os dois receberam pagamentos de um empresário interessado em abrir portas no governo federal. O principal beneficiário da suposta atuação seria André Gonçalves Mariano, dono da Life Educacional, também investigado pela PF. Segundo o inquérito, a intermediação de acesso ao governo foi remunerada com transferências que somam cerca de R$ 210 mil, além de custeio de viagens, pagamentos em dinheiro e até a cessão de um veículo.
Em pelo menos três ocasiões, as visitas ao Planalto tiveram relação direta com Mariano. Em dezembro de 2023, Kalil Bittar acompanhou o empresário em reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro, chefe de gabinete do presidente Lula. Dois dias após um desses encontros, Mariano teria feito um pagamento de R$ 30 mil a Bittar, segundo a Polícia Federal.
A investigação também aponta que Carla, identificada pelos investigadores pelo codinome “Nora”, esteve no Planalto acompanhada do empresário em maio de 2024. Embora tenham chegado em horários diferentes, ambos viajaram no mesmo voo, pago por Mariano. Em outra visita, em dezembro de 2024, Carla retornou ao Planalto ao lado de um então secretário municipal de Educação de Hortolândia, novamente com passagens custeadas pelo empresário investigado.
O caso ganha ainda mais repercussão por envolver personagens já conhecidos de outros escândalos. Kalil é irmão de Fernando Bittar, coproprietário do sítio de Atibaia, imóvel que esteve no centro das investigações da Lava Jato e levou à condenação de Lula, posteriormente anulada pelo STF.
Procurada, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência afirmou que receber representantes do setor produtivo e da sociedade civil faz parte do dever institucional do governo. As defesas dos investigados negam irregularidades e afirmam que as visitas tiveram caráter pessoal ou institucional, sem objetivos comerciais.
Mesmo assim, o conjunto de informações reunidas pela Polícia Federal levanta questionamentos sobre uso de relações familiares, trânsito privilegiado e ausência de transparência no acesso ao Palácio do Planalto, em um governo que prometeu romper com práticas do passado.