Exército repassou R$ 39 milhões para o Banco Master

Contrato para empréstimos consignados a militares movimentou milhões e foi encerrado após liquidação da instituição financeira pelo Banco Central.

Exército repassou R$ 39 milhões para o Banco Master

O Exército Brasileiro repassou R$ 39 milhões ao Banco Master em pouco mais de um ano, no âmbito de operações de crédito consignado destinadas a militares da ativa, da reserva e pensionistas. Os valores correspondem aos descontos autorizados diretamente em folha de pagamento e transferidos à instituição financeira enquanto o contrato esteve vigente.

O credenciamento do banco ocorreu em fevereiro de 2023, após participação em edital público. Segundo informações oficiais, a instituição apresentou documentação jurídica, fiscal e econômico-financeira exigida para operar o serviço. O acordo previa a oferta de empréstimos consignados e outros produtos financeiros aos integrantes da força.

Os repasses foram realizados por meio do sistema de pagamento do Exército, que atua como intermediador operacional entre o militar e a instituição financeira escolhida. Em nota, a corporação afirmou que não houve prejuízo aos cofres públicos, já que os recursos movimentados pertenciam aos próprios militares e correspondiam ao pagamento de dívidas privadas contratadas individualmente.

O caso ganhou nova repercussão após a circulação de relatório de inteligência financeira que apontou movimentações consideradas atípicas envolvendo o destino dos recursos. O documento teria sido encaminhado ao Senado e mencionaria concentração de valores em mesma titularidade, além de operações que chamaram atenção dos órgãos de controle.

Após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro do ano passado, o Exército rescindiu unilateralmente o contrato poucos dias depois. A decisão interrompeu a continuidade das operações previstas até 2027, prazo estabelecido em aditivos assinados anteriormente.

O episódio reacende o debate sobre a necessidade de critérios mais rigorosos para credenciamento de instituições que operam com consignados públicos. Em um país marcado por escândalos recorrentes no sistema financeiro e por fragilidades de fiscalização herdadas de governos lenientes, cresce a cobrança por transparência, governança e proteção ao servidor.

Dados do Portal da Transparência também registram movimentações milionárias entre o Exército e o banco ao longo dos últimos anos, reforçando a dimensão do contrato. A discussão agora se concentra em eventuais responsabilidades administrativas e na revisão dos mecanismos de controle adotados em operações semelhantes.

Em tempos de desconfiança institucional, o caso evidencia a importância de estruturas públicas mais técnicas, independentes e blindadas de improvisos, com foco na boa gestão e no interesse coletivo.