
Se há duas instituições que deveriam servir como “palavra final” das eternas divergências que marcam uma sociedade como a brasileira, deveriam ser o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Possuem a função de serem, concomitantemente, a última instância tanto das questões jurídicas como em relação aos dados e informações sobre o País.
É uma coincidência algo cósmica – mas que revela o espírito destes tempos turbulentos – ambas estarem em crise e sob ataque, tanto interno como externo, no momento presente. É como se as noções de Justiça e de fatos estivessem em suspenso, sob suspeita, sob escrutínio. Sumiram-se com as bases.
No caso do Supremo Tribunal Federal, o descalabro de um banco que representava menos de 1% do mercado financeiro parece ter retirado um véu que ocultava uma série de ministros em posições bastante constrangedoras. Deixou claro que a nossa maior corte não é imune à cobiça do dinheiro fácil traduzido em contratos milionários, ao patrimonialismo, ao deslumbramento das caronas de jatinho, ou aos parentes a advogar em condição privilegiada para deixar mais polpuda a renda familiar.
No IBGE, o que se vê é uma crise já escrita nas estrelas. Foi colocado no cargo de presidente da autarquia um militante político que muitas vezes se expressava às beiras da alucinação nas visões de Brasil e de mundo (confiram suas declarações sobre o pix, entre outras). Entrou numa rota de colisão interna com funcionários concursados que pode levantar a cortina da suspeição sobre números em relação aos quais nunca poderia pairar qualquer dúvida, como os do Produto Interno Bruto, do desemprego ou da inflação.
IBGE e STF ancoram sua respeitabilidade sobre confiança e reputação. As práticas de ministros e direção do instituto têm colocado esses alicerces sob risco. E, pior, quando alguém afirma que “o rei está nu”, tentam colocar a culpa em quem apenas apontou um fato cristalino à sua frente. ministros respondem pelas escolhas que fazem”, afirmou hoje o presidente do STF, Edson Fachin, ao pedir a reflexão sobre as causas da crise e autocontenção – entre outros puxões de orelha explícitos. Dito isso, é verdade que o tal Gilmarpalooza, um dos símbolos de tudo isso, segue firme para ser realizado em Lisboa?