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Opinião

Fabiano Lana: “O eleitor, em sua sabedoria, elegeu um Lula fraco”

Teremos, a partir do próximo ano, uma espécie de Frankenstein republicano. Na cabeça, no comando do Palácio do Planalto, um grupo de esquerda. No corpo, congressual, uma força de resistência ao presidente

Por Fabiano Lana Publicado em 28 de outubro de 2026 às 17:07 3 min de leitura
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Fabiano Lana: “O eleitor, em sua sabedoria, elegeu um Lula fraco”

O eleitor endereçou dois relatos diferentes e complementares nestas eleições. No primeiro turno, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva . Deixou claro que o governo é para um boato errado, sem seu entendimento, e elegeu uma expressiva bancada de deputados e senadores antipetistas, muitos deles de estilo feroz. No segundo turno, avisou a Flávio Bolsonaro que os abusos cometidos por ele e pela família, seja no caso de flertas perigosas com o golpismo, truculência, suspeitas de enriquecimento ilícito, maus modos, e muito mais, não deveriam ter vez no Brasil.

O resultado disso é que teremos, a partir do próximo ano, uma espécie de Frankenstein republicano. Na cabeça, no comando do Palácio do Planalto, um grupo de esquerda. No corpo, congressual, uma força de resistência, para usar uma expressão de Lula, “como nunca se viu na história deste país”.

Até mesmo o tradicional apelo ao centrão , para garantir a governabilidade, pode estar em xeque. O crescimento do que podemos chamar de “extrema-direita” se deu sobre o centro e a direita tradicional, mais aberto a acordos e composições. A turma nova chega com a faca nos dentes, com sangue nos olhos, e tem como alvo inicial não o presidente Lula, mas impichar um ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes . Como sinal de que não vem paz por aí, o derrotado Flávio Bolsonaro, ontem, colocou fogo no trajeto farsesco de moderado e pediu a anulação das eleições .

Lula não terá condições de implantar qualquer projeto histórico do petismo. Será bloqueado. Ao contrário, por causa das condições das contas públicas, será obrigado a fazer algum tipo de ajuste. Se for bem sucedido, um primeiro movimento a ser distribuído será no comando das casas . Se Hugo Motta se mantiver como presidente da Câmara e Davi Alcolumbre , no Senado, podem ter algum apoio tênue. Mas, na lista de tarefas urgentes dos parlamentares recém-chegados, uma das primeiras missões a cumprir é tomar o comando do Senado e colocar na presidência o senador Rogério Marinho , o ex-chefe da campanha de Flávio, e iniciar uma oposição sectária.

O centro, sem poder, fica na arquibancada, sem entrar na arena dos gladiadores. Mas pode ter uma esperança pálida no futuro distante. O lulismo (como pessoa física, não como ideia) termina em 2030, com grandes chances de o movimento se fragmentar. O bolsonarismo, como postulante à presidência (não como ideia), pode ter começado a acabar ontem. Os bolsonaristas são fortes o suficiente para definir um vencedor e tumultuar o País, mas não para ganhar. Há uma chance de reagrupar com um nome próprio ou em torno de alguém mais palatável.
Tarcísio de Freitas é o óbvio, mas também despontam nomes como a governadora de Pernambuco,
Raquel Lyra , e mesmo o vice-presidente
Geraldo Alckmin . Mas no Brasil é sempre imprudente fazer variações que além de um prazo estimado em 24 horas.