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Política

Falência da segurança pública coloca Brasil entre os 10 países mais violentos do mundo

Por Brasil no Centro Publicado em 15 de dezembro de 2025 às 10:33 4 min de leitura
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Falência da segurança pública coloca Brasil entre os 10 países mais violentos do mundo

O Brasil voltou a figurar entre os dez países mais violentos do planeta, segundo o Índice de Conflito elaborado pela organização internacional Armed Conflict Location and Event Data, a Acled. O levantamento, divulgado nesta semana, revela um retrato alarmante da segurança pública nacional e reforça a percepção de que o país vive uma crise estrutural de controle da violência.

A Acled é uma instituição independente e sem fins lucrativos que monitora conflitos armados, violência política e protestos em todo o mundo, com apoio do Fundo de Análise de Riscos Complexos da Organização das Nações Unidas. O ranking avalia a intensidade dos conflitos com base em quatro critérios principais: número de mortes, risco para civis, expansão territorial da violência e quantidade de grupos armados atuantes.

Na lista das dez nações mais violentas aparecem Palestina, Mianmar, Síria, México, Nigéria, Equador, Brasil, Haiti, Sudão e Paquistão. O estudo analisou dados coletados entre dezembro de 2024 e novembro de 2025 e classificou os países conforme o grau de severidade dos conflitos, que variam de turbulentos a extremos.

O Brasil ocupa a sétima posição, com cenário classificado como de conflito extremo. O dado chama ainda mais atenção por colocar o país à frente de regiões oficialmente em guerra, como a Ucrânia. Segundo a Acled, nos últimos doze meses foram registrados 9.903 episódios de violência política em território brasileiro. A categoria inclui ações armadas de grupos organizados, confrontos com forças de segurança, ataques a civis e uso excessivo da força em operações estatais.

Apesar de ter recuado uma posição em relação ao levantamento anterior, o país segue em patamar crítico. A organização aponta que a expansão e o fortalecimento de gangues e facções criminosas são os principais motores da violência no Brasil. O fenômeno também se repete em outros países da lista, como México, Haiti e Equador, este último com crescimento explosivo da violência e atuação de dezenas de grupos armados em apenas um ano.

Cenas recentes no Rio de Janeiro ilustram o quadro descrito no relatório. Operações policiais de grande porte em áreas dominadas por facções transformaram comunidades inteiras em zonas de confronto, com bloqueios, tiroteios prolongados e mortos retirados por moradores em meio à mata, num cenário mais próximo de guerra urbana do que de policiamento convencional.

No panorama global, a Palestina lidera o ranking como o território mais violento, com praticamente toda a população exposta a episódios de violência. Em seguida aparecem Mianmar e Síria, países marcados por guerras civis prolongadas. O México e a Nigéria completam os cinco primeiros lugares, também impulsionados pela atuação de cartéis, milícias e grupos armados com forte poder territorial.

Ao todo, a Acled registrou mais de 204 mil eventos violentos no mundo no período analisado, resultando, de forma conservadora, em mais de 240 mil mortes. Os dados são coletados quase em tempo real em mais de 240 países e territórios, o que confere ao levantamento alto grau de precisão e atualidade.

Além do diagnóstico atual, a organização alerta para o futuro. A América Latina e o Caribe estão entre as regiões com maior risco de agravamento dos conflitos em 2026, diante do avanço do crime organizado, da fragilidade institucional e da tendência de militarização das políticas de segurança.

Para o Brasil, o ranking funciona como um sinal vermelho. A presença constante entre os países mais violentos do mundo evidencia a falência de políticas públicas eficazes, a incapacidade de conter facções criminosas e o impacto direto dessa crise na vida dos cidadãos. Enquanto o Estado perde território e autoridade, a violência se consolida como um dos maiores entraves ao desenvolvimento, à justiça social e à democracia no país.