Flávio e Cleitinho acertam aliança em Minas, isolando Simões

A corrida eleitoral em Minas Gerais ganhou um novo capítulo após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o senador Cleitinho (Republicanos-MG) selarem uma aliança política para as eleições de 2026. O entendimento aproxima o PL do nome que hoje lidera as pesquisas no estado e reduz significativamente a possibilidade de apoio ao governador Mateus Simões (PSD), que tentava consolidar um palanque mais amplo para sua candidatura à reeleição.
O acordo foi fechado em Brasília durante reuniões entre parlamentares do PL mineiro, integrantes da coordenação nacional da pré-campanha presidencial e o próprio Cleitinho. A articulação contou com a participação do senador Rogério Marinho (PL-RN) e do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos principais nomes da direita no estado.
Apesar do alinhamento político já estar firmado, ainda falta a definição oficial sobre a candidatura de Cleitinho ao governo mineiro. O PL espera uma resposta definitiva até o início de junho, período em que Flávio Bolsonaro pretende intensificar agendas públicas em Minas Gerais e consolidar seu palanque no segundo maior colégio eleitoral do país.
Nos bastidores, a avaliação dentro do partido é de que Mateus Simões perdeu espaço por já manter proximidade com outros presidenciáveis ligados ao campo da centro-direita, como Ronaldo Caiado e Romeu Zema. A leitura de integrantes do PL é de que uma aliança com Simões criaria um cenário de divisão política em um estado considerado estratégico para a disputa nacional.
Caso Cleitinho confirme a candidatura ao governo, o PL pretende indicar o vice da chapa. Se o senador desistir da disputa, o compromisso firmado prevê apoio ao nome escolhido pelo partido, incluindo a possibilidade de influência direta na composição majoritária.
Entre os nomes cogitados pelo PL para eventual candidatura própria estão o empresário Flávio Roscoe, ex-presidente da Fiemg, e o ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli. Ambos aparecem como alternativas para ampliar o diálogo com o eleitorado mineiro fora do ambiente político tradicional.
A movimentação também amplia as dificuldades do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Minas Gerais. O petista ainda não conseguiu consolidar um nome competitivo no estado após a resistência do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) em assumir candidatura ao governo. Nos bastidores, o PT já admite buscar novas alternativas para evitar um isolamento político no estado.
Pesquisa Genial/Quaest divulgada recentemente mostra Cleitinho na liderança em todos os cenários testados para o governo mineiro. O senador aparece à frente de nomes como Alexandre Kalil, Rodrigo Pacheco e Mateus Simões, reforçando o peso político da aliança fechada com o PL.
Historicamente decisiva nas eleições presidenciais, Minas Gerais segue sendo tratada como peça central no xadrez eleitoral brasileiro. Desde a redemocratização, todos os presidentes eleitos venceram também no estado, o que aumenta a importância estratégica das articulações em curso.