Flávio defende mudança na lei e venda de terras raras brasileiras

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou neste domingo que o Brasil deve aproveitar suas reservas de terras raras por meio de parcerias com empresas e países estrangeiros interessados no setor. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o pré-candidato à Presidência defendeu mudanças no marco regulatório para acelerar investimentos, ampliar industrialização e transformar o potencial mineral brasileiro em riqueza concreta.
As chamadas terras raras reúnem 17 elementos químicos considerados essenciais para setores de alta tecnologia, como inteligência artificial, veículos elétricos, energia renovável, robótica e equipamentos eletrônicos. O tema ganhou relevância global nos últimos anos diante da forte dependência internacional da produção concentrada na China.
Ao comentar o assunto, Flávio afirmou que o Brasil precisa abandonar o papel histórico de simples exportador de matéria-prima e avançar para o beneficiamento interno, agregando valor industrial e atraindo inovação tecnológica. A defesa ocorre em meio à crescente disputa geopolítica por minerais estratégicos.
Nos últimos dias, o mercado voltou os olhos para Goiás após a aquisição bilionária da mineradora Serra Verde por uma companhia norte-americana. A operação reforçou a percepção de que o país pode se tornar protagonista global nesse segmento, desde que ofereça segurança jurídica, ambiente competitivo e planejamento de longo prazo.
No Congresso Nacional, projetos sobre o novo marco legal das terras raras seguem em discussão. Parte dos parlamentares defende regras modernas para estimular investimentos privados e ampliar a competitividade nacional. Outro grupo, ligado ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), discute a criação de uma nova estatal para coordenar a exploração mineral.
A proposta de ampliar estruturas estatais enfrenta resistência de setores econômicos que lembram o histórico brasileiro de burocracia, lentidão decisória e baixo retorno em iniciativas similares. Para críticos do modelo, o país precisa menos de novas empresas públicas e mais de regulação eficiente, transparência e capacidade de atrair capital produtivo.
Especialistas apontam que o Brasil reúne vantagens naturais importantes, com grandes reservas minerais, matriz energética competitiva e posição estratégica no comércio global. O desafio está em converter esse patrimônio em empregos qualificados, cadeias industriais modernas e soberania tecnológica.
Ao entrar no debate, Flávio tenta associar sua pré-campanha a temas econômicos e de futuro, saindo do campo exclusivo das pautas ideológicas. Em uma eleição que tende a discutir crescimento, produtividade e oportunidades, minerais críticos podem ganhar espaço crescente no centro da agenda nacional.
A disputa sobre as terras raras, portanto, vai além da mineração. Ela envolve o modelo de desenvolvimento que o Brasil deseja seguir: mais dependência estatal e improviso, ou abertura competitiva com inovação, responsabilidade e visão estratégica.