Franklin Martins, ex-ministro de Lula, é deportado do Panamá; país pede desculpas ao Brasil

Jornalista foi impedido de seguir viagem durante conexão para a Guatemala e acabou enviado de volta ao Brasil; chanceler panamenho reconheceu falha e pediu desculpas diplomáticas.

Franklin Martins, ex-ministro de Lula, é deportado do Panamá; país pede desculpas ao Brasil

O jornalista e ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Franklin Martins, foi deportado pelas autoridades migratórias do Panamá durante uma conexão aérea rumo à Guatemala. O episódio ocorreu no início de março e levou o governo panamenho a enviar uma carta oficial de desculpas ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

Segundo relato do próprio Franklin Martins, que integrou o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dois agentes de migração solicitaram seu passaporte logo após o desembarque no aeroporto da Cidade do Panamá. O jornalista havia saído do Rio de Janeiro e faria apenas uma conexão antes de seguir viagem para a Guatemala, onde participaria de um seminário acadêmico.

Após a verificação inicial do documento, os agentes pediram que ele os acompanhasse até uma área reservada do terminal. Martins afirmou que foi conduzido a uma sala de entrevista onde respondeu perguntas sobre o motivo da viagem, sua trajetória profissional e seu histórico político.

Durante o procedimento, os agentes também solicitaram documentos que comprovassem sua participação no evento na Guatemala, além de coletarem fotografias e impressões digitais. Segundo o relato do ex-ministro, parte do interrogatório concentrou-se em sua prisão em 1968, durante a ditadura militar, quando participou de atividades políticas ligadas ao grupo MR-8.

Ao final da entrevista, as autoridades informaram que ele não poderia seguir viagem e que seria deportado para o Brasil no primeiro voo disponível. Martins afirmou que tentou obter esclarecimentos e pediu que a embaixada brasileira fosse informada, mas o pedido não foi atendido no momento.

Após permanecer por algumas horas sob supervisão no setor de imigração do aeroporto, o jornalista foi escoltado até o portão de embarque e embarcou em um voo de retorno ao Rio de Janeiro. Seu passaporte foi devolvido apenas após a chegada ao Brasil.

O episódio gerou reação diplomática. Em carta enviada ao governo brasileiro, o chanceler do Panamá, Javier Martínez-Acha, afirmou que o ocorrido não refletia o respeito do país pela trajetória pessoal e profissional de Martins. No documento, o governo panamenho pediu desculpas formais pelo constrangimento e declarou que o jornalista será sempre bem-vindo ao país.

O ministro panamenho também ressaltou que as relações entre Brasil e Panamá permanecem positivas e caracterizadas por cooperação diplomática e diálogo político entre os governos.

Em seu relato público sobre o episódio, Martins levantou questionamentos sobre a aplicação da legislação migratória panamenha e sugeriu que o caso pode ter relação com bancos de dados internacionais compartilhados entre autoridades de segurança.

O ex-ministro afirmou ainda que a situação levanta dúvidas sobre possíveis restrições aplicadas a estrangeiros que tenham registros de processos políticos durante períodos autoritários em seus países de origem.