Gabriel Azevedo desafia Zema para debate e o chama de “liberaloide”

O candidato ao governo de Minas Gerais Gabriel Azevedo (MDB) elevou o tom das críticas ao ex-governador Romeu Zema (Novo), atual candidato à Presidência da República. Durante sabatina promovida por O TEMPO, nesta segunda-feira (15), Gabriel classificou o adversário como “liberaloide” e questionou sua formação sobre diferentes correntes do pensamento liberal.
Segundo o candidato, Zema teria uma compreensão limitada do liberalismo e se apoiaria em referências utilizadas principalmente para discursos políticos nas redes sociais.
“O Zema só leu ‘A Revolta de Atlas’. Me põe pra debater com o Zema. Ele não sabe o que é ‘Sobre a Liberdade’, de Stuart Mill. Ele não sabe quem foi John Rawls. Não sabe o que é ser social-liberal, de entender a importância do Estado e do indivíduo”, afirmou.
Gabriel também criticou o que classificou como uma atuação política baseada em conceitos simplificados. Ao defender um debate com o ex-governador, disse que pretende discutir diferentes correntes do pensamento político e econômico.
“É desses liberaloides que leram uma, duas ou três coisinhas e repetem para fazer corte da internet”, declarou.
Na sequência, o candidato ampliou as críticas e associou o posicionamento de Zema a uma militância que, segundo ele, teria pouca profundidade. Gabriel citou o economista Murray Rothbard e afirmou que o conhecimento político não deveria se restringir a referências econômicas ou ideológicas.
A declaração também fez referência a um episódio envolvendo a escritora mineira Adélia Prado. Gabriel questionou o conhecimento de Zema sobre nomes da cultura de Minas Gerais.
“Não é com caixinhas e com uma militância que tem a profundidade de um pires, de quem fala muito de Rothbard, mas não conhece escritoras mineiras, que a gente faz Minas Gerais avançar”, afirmou.
Críticas à condução das contas de Minas
Durante a sabatina, Gabriel também direcionou críticas à gestão de Zema em relação às contas públicas de Minas Gerais. O candidato afirmou que o ex-governador concentrou sua atuação no Regime de Recuperação Fiscal, o RRF, sem considerar, em sua avaliação, os possíveis impactos sobre o Estado.
Gabriel também citou o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados, o Propag, e atribuiu ao presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Tadeu Martins Leite, papel relevante na construção de uma alternativa para a dívida estadual.
“Foi preciso o Tadeuzinho trazer para si o protagonismo que era do governo para oferecer uma solução melhor”, afirmou.
A dívida de Minas Gerais com a União se tornou um dos principais temas da política estadual nos últimos anos e deve continuar no centro do debate eleitoral de 2026.
Copasa também entra na disputa
Outro tema abordado por Gabriel foi a privatização da Copasa. O candidato afirmou que Zema tinha como principal objetivo vender a companhia, mas questionou a discussão sobre o modelo adotado para a operação.
Gabriel declarou que não venderia a empresa caso estivesse no comando do governo estadual. Como a privatização já ocorreu, porém, afirmou que a prioridade deve ser garantir uma atuação efetiva da Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário de Minas Gerais, a Arsae-MG.
Para o candidato, a agência precisa exercer plenamente sua função regulatória e acompanhar a prestação dos serviços oferecidos pela companhia.
As críticas fazem parte da estratégia de Gabriel Azevedo na disputa pelo governo mineiro, em uma eleição marcada pela presença de diferentes grupos políticos e por uma forte disputa entre nomes associados à direita, ao centro e à esquerda.