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Caiado usou fintech suspeita de vinculo com o PCC para movimentar R$ 1,3 bilhão do governo de Goiás

Por Brasil no Centro Publicado em 25 de maio de 2026 às 17:07 3 min de leitura
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Caiado usou fintech suspeita de vinculo com o PCC para movimentar R$ 1,3 bilhão do governo de Goiás

Um levantamento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelou que a gestão de Ronaldo Caiado (PSD) em Goiás utilizou a fintech BK Bank, investigada na Operação Carbono Oculto por suspeita de atuar como banco paralelo do PCC, para movimentar R$ 1,36 bilhão referentes a programas de transferência de renda da administração estadual. Os repasses ocorreram entre outubro de 2021 e agosto de 2025, período correspondente aos dois mandatos do governador.

O relatório indica que a Agência de Fomento de Goiás, acionista majoritária da instituição de fomento estadual, direcionou os recursos à BK Bank, que operava pagamentos aos beneficiários de 880 mil cidadãos goianos. A movimentação financeira incluía ainda uma taxa de até 6% sobre transações realizadas em estabelecimentos comerciais credenciados, dividida entre a agência e a fintech. Em 2024, com a contratação de uma nova instituição, a divisão passou a destinar 75,6% para a Agência de Fomento e 24,4% à nova empresa.

Segundo o governo estadual, após a deflagração da Operação Carbono Oculto em agosto de 2025, as transações com a BK foram interrompidas e medidas administrativas e judiciais foram adotadas para proteger o interesse público. “Não há prejuízo constatado à GoiásFomento até o momento”, afirmou a administração em nota. O governo ressaltou que a contratação da fintech ocorreu em 2020 por meio de credenciamento regular e com autorização do Banco Central, e que a BK mantinha contratos com diversos órgãos públicos, como Correios e Serpro.

A BK Bank, localizada em Barueri (SP) e com capital social de pouco mais de R$ 9 milhões, é apontada por autoridades como instituição utilizada por grupos criminosos para movimentar recursos de maneira opaca, por meio de contas-bolsões, dificultando o rastreamento de valores. A Receita Federal identificou transações atípicas de R$ 17,7 bilhões envolvendo empresas ligadas à fintech.

Além da operação da Agência de Fomento de Goiás, a investigação revelou que a BK também recebeu recursos de prefeituras e outros órgãos públicos, embora em volumes menores. Entre julho de 2022 e setembro de 2025, a fintech retornou R$ 28,5 milhões à agência, correspondentes a valores não utilizados por beneficiários e remuneração contratual pelo processamento das transações.

O Coaf concluiu que as movimentações pela BK Bank apresentam indícios de lavagem de dinheiro e ocultação de origem e destino dos valores, especialmente de recursos vinculados a setores como usinas de álcool e distribuidoras de combustíveis. Após a operação, a Justiça determinou o bloqueio das contas e a preservação de documentos, extratos e cadastros de clientes da fintech.

O governo de Goiás disse que a BK não realiza mais transações com recursos públicos desde 2025 e que qualquer decisão futura está condicionada a medidas judiciais. A fintech não respondeu aos contatos da reportagem.