
Na semana em que deixou o Ministério da Fazenda para assumir a pré-candidatura ao governo de São Paulo, Fernando Haddad encerra sua passagem pela principal área econômica do governo com indicadores que apontam deterioração fiscal, aumento do endividamento e perda de dinamismo da economia brasileira.
Levantamento do PSDB reúne dados que mostram piora relevante em relação ao cenário de dezembro de 2022, quando o PT reassumiu o comando do país. Desde então, o Brasil acumulou três anos consecutivos de déficits nas contas públicas, com um rombo superior a R$ 356 bilhões no período. Apenas em 2025, o resultado negativo foi de R$ 61,7 bilhões, um dos piores desempenhos desde o fim dos anos 1990.
A dívida pública seguiu a mesma trajetória. A dívida bruta do governo geral passou de 71,7% para 78,7% do Produto Interno Bruto, em uma escalada comparável à observada durante a crise fiscal do período Dilma. Já o déficit nominal, que inclui o custo dos juros, avançou de 4,7% para 8,5% do PIB, colocando o Brasil entre os países com maior desequilíbrio fiscal entre economias relevantes.
O custo do crédito também se manteve elevado ao longo da gestão. A taxa básica de juros, que estava em 13,75% ao ano no início do mandato, atingiu 14,75%, o maior nível em cerca de duas décadas. Com isso, o país destina mais de R$ 1 trilhão por ano ao pagamento de juros, pressionando as contas públicas e limitando a capacidade de investimento.
No campo do crescimento econômico, o desempenho ficou aquém do esperado. As projeções indicam expansão de cerca de 1,8% neste ano, abaixo dos 3% registrados em 2022. No ranking global, o Brasil aparece apenas na 99ª posição entre os países que mais cresceram desde 2023.
O levantamento também aponta aumento da carga tributária no período. A arrecadação federal cresceu mais de 13% acima da inflação desde o início do mandato, representando um acréscimo de R$ 365 bilhões em três anos. Além disso, foram identificadas pelo menos 25 medidas voltadas à elevação de receitas, ampliando a pressão sobre contribuintes e empresas.
Para o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, o balanço da gestão econômica evidencia perda de rumo. “Com Lula e Haddad, estão sendo mais quatro anos perdidos na gestão econômica. O país não avança na modernização necessária e perde cada vez mais espaço no mundo.”
Além dos indicadores econômicos, o levantamento aponta um ambiente político marcado pela antecipação da disputa eleitoral. Com a saída de ministros para concorrer em 2026, a Esplanada passa por uma reorganização que pode atingir cerca de 20 pastas, muitas delas sob comando interino.
Pesquisas recentes também indicam aumento da insatisfação da população com a situação econômica. Crescem os índices de insegurança, desânimo e preocupação com o futuro, em um cenário de crédito caro, renda pressionada e baixo crescimento.
Ao final da passagem de Haddad pela Fazenda, os dados apontam um país mais endividado, com maior desequilíbrio fiscal e menor capacidade de crescimento sustentado, em um contexto que amplia os desafios para os próximos anos.