
A inflação voltou a ganhar força no Brasil e já preocupa economistas e consumidores, segundo levantamento divulgado pelo PSDB na nova edição do Farol da Oposição. Os dados mostram aceleração dos preços, pressão no custo dos alimentos e deterioração das expectativas para os próximos meses, com o índice oficial já acima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central.
Em maio, o IPCA avançou 0,58%, maior variação para o mês desde 2021, de acordo com o IBGE. No acumulado de 12 meses, a inflação chegou a 4,72%, ultrapassando o limite superior da meta, que varia entre 1,5% e 4,5%. O movimento interrompe um período recente de relativa estabilidade e reforça a tendência de alta nos preços ao consumidor.
O principal vetor da inflação continua sendo a alimentação. Em maio, o grupo alimentação e bebidas subiu 1,33%, com destaque para a alimentação em domicílio, que avançou 1,65% — maior alta para o mês desde 2008. Em apenas três meses, a alta acumulada nesse segmento chega a 5,3%.
Itens básicos do consumo das famílias registraram disparadas expressivas desde o início do ano, segundo o levantamento do PSDB. Produtos como cenoura, tomate e batata inglesa acumularam altas de 95,4%, 86,2% e 75,8%, respectivamente. A projeção para a inflação dos alimentos também foi revisada para cima, passando de 3,7% para 7,7% no ano.
Outro fator de pressão é a energia elétrica residencial, que subiu 3,67% em maio. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) projeta aumento de até 8,6% nas tarifas ao longo do ano, quase o dobro da inflação geral esperada.
O levantamento também destaca a piora das expectativas para os próximos meses. Segundo o Boletim Focus, a projeção de inflação para o fim de 2026 chegou a 5,3%, após semanas consecutivas de revisões para cima, interrompendo qualquer expectativa de desaceleração consistente.
Embora parte da pressão inflacionária seja atribuída a fatores externos, como o cenário climático e tensões geopolíticas, o PSDB avalia que o ambiente interno tem contribuído para reduzir a capacidade de absorção desses choques pela economia brasileira.
O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, afirmou que o impacto da inflação recai de forma mais dura sobre as famílias de baixa renda. “Os maiores prejudicados pela inflação são os mais pobres. Por isso, quando o PSDB governou o país, derrotá-la foi nossa principal missão. Hoje, vemos os preços explodindo sem que a gestão do PT faça nada.”
O levantamento também faz um resgate histórico ao destacar que o controle da inflação no país foi consolidado com o Plano Real, durante governos ligados ao PSDB, e reforça que a estabilidade de preços continua sendo um dos principais desafios da economia brasileira.
No cenário atual, o avanço dos preços, especialmente em itens essenciais como alimentação e energia, pressiona o orçamento das famílias e reforça o debate sobre a condução da política econômica e o papel da política monetária no controle da inflação.