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Janones prefere ficar na Câmara e descarta disputar espaço no ministério de Lula

Deputado afirma que pode contribuir mais no Congresso do que em um cargo no Executivo, mas deixa decisão nas mãos do presidente reeleito.

Por Brasil no Centro Publicado em 29 de outubro de 2026 às 16:26 7 min de leitura
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Janones prefere ficar na Câmara e descarta disputar espaço no ministério de Lula

O deputado federal André Janones (Rede-MG) sinalizou nesta quinta-feira (29) que prefere continuar na Câmara dos Deputados a assumir um ministério no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Reeleito por Minas Gerais, o parlamentar afirmou que considera sua atuação no Congresso mais importante para o governo neste momento, diante do crescimento das bancadas de direita e das dificuldades que o Palácio do Planalto deverá enfrentar para aprovar seus projetos a partir de 2027.

A declaração foi feita em Brasília, durante encontro com jornalistas, por ocasião de uma reunião com Lula. Janones ganhou destaque na campanha presidencial após organizar o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que ultrapassou dez milhões de seguidores e se tornou uma das principais ferramentas de mobilização digital dos apoiadores do petista no segundo turno.

Apesar de manifestar preferência pela permanência no Legislativo, o deputado afirmou que não pretende tomar uma decisão definitiva sem conversar com o presidente. Segundo ele, uma eventual participação no ministério dependerá de um convite e da avaliação sobre onde poderá contribuir mais para o próximo governo.

As declarações foram divulgadas pelo jornal O Tempo e também repercutidas pelo Metrópoles e pelo Correio Braziliense.

Janones afirmou que o governo precisará de uma base parlamentar consistente para enfrentar as negociações com um Congresso de perfil mais conservador. Na avaliação do deputado, sua presença na Câmara poderá ajudar na articulação de propostas defendidas por Lula durante a campanha e na interlocução com diferentes setores políticos.

A preferência pelo Legislativo foi apresentada em meio às especulações sobre sua possível nomeação para uma função relacionada à comunicação do governo federal.

O desempenho do parlamentar nas plataformas digitais despertou o interesse de integrantes da campanha petista, que passaram a discutir maneiras de aproveitar essa experiência no próximo mandato.

Janones, entretanto, disse não ter recebido uma definição sobre cargo e afirmou que pretende seguir as orientações do presidente. A possibilidade de assumir uma secretaria ou um ministério continua em aberto.

O protagonismo do deputado cresceu principalmente depois do primeiro turno presidencial, quando Flávio Bolsonaro (PL) terminou a votação à frente de Lula.

Naquele período, a campanha petista intensificou sua atuação nas redes sociais e passou a utilizar o “Exército do Lula” para distribuir vídeos, divulgar mensagens e estimular a participação de apoiadores em atividades de campanha.

O canal, administrado por Janones, alcançou aproximadamente 10,5 milhões de seguidores no WhatsApp, segundo os números apresentados pelo parlamentar nesta quinta-feira.

Por meio da ferramenta, os participantes receberam orientações para compartilhar publicações, ampliar a circulação de conteúdos e participar de ações digitais coordenadas.

Entre as atividades que ganharam repercussão esteve uma mobilização realizada em 17 de outubro, quando apoiadores do presidente publicaram fotografias e vídeos usando a camisa amarela da seleção brasileira e fazendo o gesto associado à candidatura petista.

A iniciativa integrou a estratégia de comunicação adotada pela campanha durante as semanas anteriores à votação decisiva.

A atuação de Janones também provocou controvérsias durante a eleição.

O canal de WhatsApp foi alvo de questionamentos apresentados à Justiça Eleitoral, incluindo discussões sobre sua vinculação formal à campanha e a possibilidade de restrições ao funcionamento de grandes canais políticos.

Na reta final da disputa, uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral estabeleceu limites para a suspensão administrativa da ferramenta, mantendo a possibilidade de fiscalização de conteúdos específicos que eventualmente violassem a legislação.

A controvérsia evidenciou o papel ocupado pelas plataformas digitais na campanha presidencial e trouxe novas discussões sobre os limites da comunicação política nesses ambientes.

Com a vitória de Lula no segundo turno, Janones passou a ser mencionado como possível integrante da equipe que atuará na comunicação do governo a partir de 2027.

As conversas ocorrem enquanto o presidente reeleito prepara mudanças no primeiro escalão da administração federal e avalia a distribuição de responsabilidades entre aliados políticos.

Além da comunicação, as articulações envolvem ministérios importantes, como Fazenda, Casa Civil e Planejamento.

A eventual entrada de Janones no Executivo, contudo, exigiria seu afastamento do mandato parlamentar para o qual acaba de ser reeleito.

A opção pela Câmara também está relacionada à nova composição do Congresso Nacional.

Nas eleições de outubro, o PL conquistou 121 cadeiras na Câmara dos Deputados, tornando-se a maior bancada da Casa. O PT elegeu 70 parlamentares e dependerá de negociações com outras legendas para construir maiorias capazes de aprovar as propostas do Executivo.

A presença de partidos de centro, como MDB, PSD, Republicanos e União Brasil, terá importância nas votações de matérias econômicas, reformas constitucionais e projetos defendidos pelo governo.

Na avaliação de Janones, o tamanho da bancada de oposição exigirá uma participação mais intensa dos parlamentares aliados à Presidência.

O deputado considera que poderá contribuir para os debates e para a defesa das propostas governistas diretamente do plenário da Câmara.

Entre os compromissos apresentados por Lula durante a campanha estão a ampliação de programas sociais, medidas voltadas ao crédito para pequenos empreendedores, mudanças na área de segurança pública e a proposta de transporte coletivo gratuito aos fins de semana.

Parte dessas iniciativas dependerá de aprovação legislativa e de negociações sobre seu financiamento.

A proposta de emenda à Constituição relacionada à segurança pública e a discussão sobre recursos para ampliar a gratuidade no transporte estão entre os assuntos que poderão mobilizar o Congresso no próximo mandato.

As dificuldades de articulação já começaram a ser tratadas pelo presidente reeleito.

Na segunda-feira (26), um dia depois de sua vitória, Lula se reuniu com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Os encontros fizeram parte das primeiras conversas sobre a agenda legislativa e a relação entre o Executivo e o Congresso a partir de 2027.

Motta e Alcolumbre também participam de articulações partidárias relacionadas à eleição das Mesas Diretoras das duas Casas, prevista para fevereiro.

Nesse contexto, a decisão de manter Janones na Câmara poderá preservar um integrante da base de Lula em um momento de negociações importantes.

O parlamentar também pretende continuar utilizando o “Exército do Lula” como instrumento de comunicação com seus seguidores, mesmo depois do encerramento da campanha eleitoral.

Segundo declarações divulgadas pelo Metrópoles, Janones estabeleceu a meta de ampliar o canal para 13 milhões de inscritos até a posse presidencial.

Por enquanto, não há anúncio oficial de que o deputado assumirá uma função no Executivo ou uma posição específica de liderança parlamentar.

A preferência apresentada por Janones é continuar exercendo seu mandato na Câmara, onde afirma poder contribuir com a aprovação de projetos e com a atuação política do governo.

A definição sobre seu papel no quarto mandato dependerá das conversas com Lula e da reorganização da equipe governamental, prevista para os próximos meses.