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Lewandowski recebeu R$ 2,6 milhões do Master sem efetuar nenhum trabalho para o banco

Por Brasil no Centro Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 12:05 3 min de leitura
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Lewandowski recebeu R$ 2,6 milhões do Master sem efetuar nenhum trabalho para o banco

O escritório de advocacia da família do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski recebeu R$ 2,6 milhões do Banco Master sem atuar em ações judiciais ou administrativas relacionadas à instituição. O contrato, firmado para prestação de serviços de consultoria jurídica, vigorou entre agosto de 2023 e setembro de 2025.

O acordo previa pagamentos mensais de R$ 250 mil à Lewandowski Advocacia, escritório registrado em nome da esposa de Lewandowski, Yara de Abreu Lewandowski, e de seu filho, Enrique de Abreu Lewandowski. Apesar do valor, o nome do escritório não aparece em nenhum processo envolvendo o Banco Master, o banqueiro Daniel Vorcaro ou empresas do grupo.

Em nota, Ricardo Lewandowski confirmou a existência do contrato e afirmou que a contratação se deu para serviços de consultoria jurídica. Segundo ele, o acordo não envolvia representação do banco junto a órgãos do Poder Executivo.

Durante o período do contrato, há registro de apenas uma reunião de Enrique Lewandowski com autoridades públicas. O encontro ocorreu em maio de 2024, com membros da Advocacia-Geral da União (AGU), para tratar de um processo em tramitação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre seguros habitacionais. O Banco Master não é citado na pauta da reunião.

Yara Lewandowski possui inscrição na OAB de São Paulo e do Distrito Federal, com atuação concentrada na área cível. Ela não possui processos registrados no Supremo Tribunal Federal. Enrique Lewandowski, por sua vez, atua em causas empresariais e integra outro escritório em São Paulo, representando empresas como Ducoco e Integralmédica, sem vínculo com o Banco Master.

O contrato foi assinado em 28 de agosto de 2023 e permaneceu vigente até setembro de 2025. Nesse período, Ricardo Lewandowski já exercia o cargo de ministro da Justiça no governo Lula, função que assumiu em janeiro de 2024, após indicação do senador Jaques Wagner (PT-BA).

Após a divulgação das informações sobre o contrato, parlamentares da base do governo passaram a recolher assinaturas para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master.

Por meio de sua assessoria, Enrique Lewandowski afirmou que o contrato tinha caráter consultivo e não previa atuação em casos específicos. Segundo ele, o trabalho consistia em reuniões periódicas com a diretoria jurídica do banco e em orientações nas áreas fiscal e tributária.