Lula acusa Congresso de “sequestrar orçamento” federal

O presidente Lula elevou o tom contra o Congresso Nacional ao afirmar que as emendas parlamentares impositivas representam um “sequestro” de metade do orçamento federal. A declaração foi feita durante a 6ª Reunião do Conselhão, em Brasília, e aprofundou o desgaste já existente entre o Palácio do Planalto e as lideranças do Legislativo. Segundo o presidente, o modelo atual limita a capacidade de planejamento do Executivo e corrige-se apenas “mudando quem governa e quem aprova” esse sistema. Lula afirmou não ter conflito pessoal com o Congresso, mas reforçou que considera as emendas impositivas um erro histórico.
O comentário inflamou ainda mais a relação com o Senado, especialmente com Davi Alcolumbre, que recentemente se irritou com a indicação de Jorge Messias ao STF e cobrou explicações ao Planalto por telefone durante sessão do Congresso. Parlamentares avaliam que a fala chega em um momento político delicado, quando o governo tenta aprovar a LDO e busca apoio para ajustes fiscais e medidas de interesse do Executivo. Na Câmara, o clima também é de tensão com o presidente da Casa, Hugo Motta, especialmente após divergências com a liderança do PT.
Durante o encontro no Conselhão, Lula ainda voltou a defender a revisão da jornada de trabalho e criticou o que considera atrasos estruturais no país. O discurso, que abordou desde economia até relações de trabalho, acabou reforçando o que aliados interpretam como um apelo do presidente por retomar maior controle sobre o orçamento federal, hoje amplamente dominado pelas emendas impositivas que parlamentares destinam aos seus redutos eleitorais. O episódio expõe mais um capítulo da difícil relação entre Planalto e Congresso, num ambiente em que cada gesto pode influenciar diretamente as pautas decisivas para 2026.