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Lula confirma apoio de PT a recondução de Alcolumbre e Motta no Congresso

Por Brasil no Centro Publicado em 27 de outubro de 2026 às 14:04 7 min de leitura
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Lula confirma apoio de PT a recondução de Alcolumbre e Motta no Congresso

Um dia após conquistar seu quarto mandato presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou as articulações para assegurar apoio no Congresso Nacional a partir de 2027. Em reunião realizada na segunda-feira (26), no Palácio da Alvorada, o presidente reeleito comunicou aos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que o PT apoiará a recondução dos dois aos respectivos cargos.

O compromisso foi apresentado durante uma conversa sobre a relação entre Executivo e Legislativo e as prioridades para o próximo mandato. As eleições para as presidências da Câmara e do Senado estão previstas para 1º de fevereiro de 2027, quando os parlamentares escolherão os responsáveis pela condução das duas Casas.

Segundo reportagem da jornalista Vera Rosa, publicada pelo Estadão, o apoio foi comunicado diretamente aos dois dirigentes, embora ainda não tenha sido formalizado em anúncio público da direção nacional do PT.

A movimentação ocorre em um cenário de fortalecimento da oposição no Congresso. O PL, partido de Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Lula no segundo turno, elegeu 121 deputados federais e formará a maior bancada da Câmara a partir de fevereiro.

O resultado das eleições legislativas ampliou a presença de partidos de direita e aumentou a importância das negociações com as legendas de centro para a aprovação de projetos do Executivo.

Diante dessa composição, Lula pretende preservar o relacionamento com Motta e Alcolumbre e ampliar as alianças com integrantes do Centrão, inclusive representantes de partidos que apoiaram Flávio Bolsonaro durante a campanha presidencial.

A estratégia também envolve aproximações com setores do MDB e outras legendas que poderão participar das negociações sobre a agenda econômica e administrativa do próximo governo.

Durante o pronunciamento da vitória, no domingo (25), Lula já havia reconhecido que encontrará um Legislativo com posições políticas distintas das defendidas pelo PT. Na ocasião, afirmou que a composição do Congresso foi definida pelos eleitores e que pretende trabalhar com os parlamentares escolhidos nas urnas.

A declaração antecipou o movimento de aproximação realizado no dia seguinte, quando o presidente recebeu os comandantes das duas Casas legislativas.

Na Câmara, Hugo Motta já reúne manifestações de apoio de partidos como MDB, PSD, Podemos, PDT e PSB, além de setores do Centrão. A possibilidade de apoio petista amplia a articulação para sua permanência na presidência da Casa.

A posição do PL, entretanto, ainda não está definida.

Parte dos integrantes da legenda considera a manutenção do apoio a Motta uma alternativa para preservar espaços de influência na Câmara. Outra ala se opõe à recondução do deputado paraibano em razão de sua aproximação com Lula.

Também existem discussões sobre a apresentação de uma candidatura própria ou o apoio a outro nome do Republicanos.

O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder da bancada, chegou a ser mencionado como possível concorrente, mas sua candidatura não estava consolidada nas articulações divulgadas após a eleição.

No Senado, a disputa apresenta um cenário diferente.

Davi Alcolumbre deverá enfrentar a possibilidade de candidaturas de parlamentares ligados à oposição. Entre os nomes mencionados estão Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, e Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura.

As movimentações ainda dependem de definições partidárias, e a manifestação de apoio de Lula não garante automaticamente a eleição dos atuais presidentes.

A escolha será feita pelos próprios parlamentares, de acordo com as regras de cada Casa.

Além das articulações para a eleição das Mesas Diretoras, Lula aproveitou a reunião no Alvorada para tratar de propostas que considera prioritárias no início do novo mandato.

O principal assunto foi a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública, que pretende ampliar a capacidade de coordenação da União no enfrentamento ao crime organizado e fortalecer a integração entre os órgãos de segurança.

Segundo o Estadão, o presidente pediu a Alcolumbre empenho para que o Senado conclua a votação da proposta.

A tramitação enfrentou dificuldades nas semanas anteriores ao segundo turno, especialmente em razão de divergências sobre a possibilidade de incluir no texto a redução da maioridade penal.

Lula passou a admitir a discussão sobre a redução da idade de responsabilização penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos. Entretanto, defende que a PEC da Segurança seja aprovada antes de uma eventual alteração sobre esse tema.

A preocupação do governo é evitar que mudanças no texto provoquem uma nova análise pela Câmara dos Deputados, prolongando a tramitação da proposta.

A aprovação da PEC também está relacionada a outro compromisso apresentado pelo presidente durante a campanha: a criação de um Ministério da Segurança Pública.

Lula pretende estabelecer uma pasta específica para coordenar as políticas federais da área e ampliar a atuação integrada com estados e municípios.

A proposta ainda depende das definições legislativas e administrativas necessárias para sua implementação.

A reunião também marcou o início de uma nova etapa nas relações entre o governo federal e o Congresso após uma campanha presidencial disputada.

Embora Lula tenha vencido o segundo turno com 51,79% dos votos válidos, as eleições legislativas produziram uma composição parlamentar que exigirá acordos com partidos de diferentes posições ideológicas.

A futura bancada do PL já anunciou a intenção de exercer oposição ao presidente reeleito, enquanto legendas do centro político discutem sua participação na organização das Casas legislativas e nas votações de interesse do Executivo.

Nesse ambiente, a manutenção de Motta e Alcolumbre passou a integrar as primeiras articulações de governabilidade do novo mandato.

Após o encontro, o presidente do Senado divulgou uma manifestação confirmando a visita ao Palácio da Alvorada, realizada ao lado de Hugo Motta para cumprimentar Lula pela reeleição.

Alcolumbre destacou a importância do diálogo entre as instituições e afirmou que o Congresso continuará trabalhando para construir entendimentos em temas de interesse nacional.

O presidente da Câmara também reafirmou a disposição de manter uma relação institucional com o Executivo e de buscar soluções para as demandas do país.

O apoio anunciado por Lula representa um passo nas negociações para a formação das novas Mesas Diretoras, mas ainda dependerá das articulações internas dos partidos e das votações previstas para fevereiro.

Além da PEC da Segurança Pública, o próximo Congresso terá de examinar as alterações no Orçamento de 2027, propostas de ampliação de programas sociais e medidas relacionadas à política fiscal.

Com a eleição presidencial encerrada, o presidente reeleito começa a organizar sua base de sustentação parlamentar para enfrentar uma agenda que dependerá de acordos entre governo, oposição e partidos de centro.

A reunião com Motta e Alcolumbre foi a primeira sinalização desse movimento, com o PT disposto a apoiar a permanência dos atuais presidentes das duas Casas em troca da manutenção do diálogo e da construção de condições políticas para a tramitação das propostas do novo governo.