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Lula diz em SC que agronegócio deveria “se ajoelhar” diante de recursos do governo

Por Brasil no Centro Publicado em 19 de setembro de 2026 às 17:32 4 min de leitura
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Lula diz em SC que agronegócio deveria “se ajoelhar” diante de recursos do governo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (19), durante um comício em Florianópolis, que o agronegócio deveria não apenas votar nele, mas “se ajoelhar” diante dos recursos destinados ao setor durante seu governo. A declaração ocorreu durante a primeira agenda de campanha do presidente em Santa Catarina e foi direcionada a um dos segmentos mais importantes da economia do estado.

Ao lado de Gelson Merísio (PSB), candidato ao governo catarinense apoiado por Lula, o presidente questionou por que parte dos produtores rurais não demonstra apoio ao governo federal. Em seguida, levantou a possibilidade de que a resistência tivesse relação com sua origem nordestina ou condição social.

“Se dependesse de dinheiro do governo, eles tinham que não só votar, mas se ajoelhar para mim, porque nunca houve tanto dinheiro para a agricultura como agora”, afirmou Lula durante o ato realizado na Praça Tancredo Neves.

A fala ocorreu em um momento em que a campanha petista busca ampliar sua interlocução com o eleitorado do agronegócio. O discurso de Lula citou os recursos disponibilizados pelo governo federal para financiamento da produção e também a abertura de novos mercados internacionais para produtos brasileiros.

Segundo os números apresentados pelo próprio governo, o Plano Safra 2026/27 disponibilizou R$ 620 bilhões para o setor, sendo R$ 525,1 bilhões destinados à agricultura empresarial e R$ 97,3 bilhões para a agricultura familiar. No ciclo anterior, o volume destinado à agricultura empresarial havia sido de R$ 516 bilhões.

Lula também mencionou a abertura de mercados externos para produtos agropecuários brasileiros. Durante o discurso, afirmou que seu governo ampliou as possibilidades de exportação e destacou especialmente a relevância de Santa Catarina na produção de aves, suínos e outros produtos do agronegócio.

O estado possui forte presença de cooperativas e de sistemas de integração entre produtores rurais e agroindústrias. Santa Catarina também ocupa posição relevante na produção brasileira de carne suína e de aves, setores fortemente voltados ao mercado externo.

A cobrança de apoio político feita por Lula ocorre em um cenário no qual a relação entre o governo federal e parte do agronegócio permanece marcada por divergências. Apesar da participação do setor em programas de crédito e de políticas públicas federais, produtores e entidades rurais mantêm posições distintas sobre questões econômicas, ambientais, regulatórias e políticas.

A visita a Santa Catarina também teve forte caráter eleitoral. Lula esteve no estado acompanhado de aliados e utilizou o palanque para defender sua candidatura à reeleição e pedir mobilização para as semanas finais antes do primeiro turno.

Durante o discurso, o presidente ainda fez críticas ao governador Jorginho Mello (PL), que disputa a reeleição, e afirmou que Merísio deveria conversar diretamente com representantes do agronegócio para entender a resistência ao grupo político do governo federal.

A campanha de Lula vem tentando ampliar o diálogo com o setor rural nesta eleição. O programa de governo apresentado pelo PT passou a dar maior destaque ao agronegócio em comparação com a plataforma apresentada pela legenda na eleição presidencial de 2022, incorporando a importância econômica das atividades agrícolas e das exportações.

Em Florianópolis, entretanto, o discurso combinou a defesa dos investimentos realizados pelo governo com uma cobrança direta por reconhecimento político. A declaração sobre o setor “se ajoelhar” acabou se tornando o principal trecho do ato de campanha e ganhou repercussão nacional.

A agenda também ocorreu em meio à disputa pelo voto em Santa Catarina, estado onde Lula enfrenta resistência eleitoral histórica. Pesquisa Quaest divulgada em agosto apontou Flávio Bolsonaro (PL) com 45% das intenções de voto para presidente no primeiro turno, contra 20% de Lula no estado. O levantamento ouviu 804 eleitores entre 20 e 23 de agosto, com margem de erro de três pontos percentuais.