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Lula lança operação integrada contra o crime organizado no Rio e amplia presença federal

Por Brasil no Centro Publicado em 18 de setembro de 2026 às 18:13 5 min de leitura
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Lula lança operação integrada contra o crime organizado no Rio e amplia presença federal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou nesta sexta-feira (18), no Rio de Janeiro, uma nova estratégia de enfrentamento ao crime organizado que reúne forças federais, estaduais e municipais. A iniciativa prevê integração de inteligência, policiamento e investigação em áreas consideradas estratégicas para a circulação de pessoas, cargas, armas, drogas e recursos de organizações criminosas.

Apresentada pelo governo federal como um projeto piloto, a estratégia concentra esforços em três frentes: proteção dos corredores logísticos, retomada de territórios sob influência de facções e fortalecimento da estrutura de segurança municipal. A expectativa do governo é que o modelo desenvolvido no Rio possa ser utilizado posteriormente em outras regiões do país.

A operação envolve a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Força Nacional de Segurança Pública, as polícias Civil e Militar do Rio e a estrutura municipal de segurança. O desenho busca superar a atuação fragmentada entre diferentes níveis de governo, com compartilhamento de informações e operações coordenadas.

Um dos principais focos será a proteção dos corredores considerados estratégicos para a economia e para a mobilidade do estado. Entre os locais citados estão a Avenida Brasil, as linhas Vermelha e Amarela, os acessos ao Porto do Rio de Janeiro, o Aeroporto Internacional Tom Jobim e as divisas com São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo.

A segunda frente prevê ações de inteligência territorial e financeira para atingir estruturas utilizadas pelas organizações criminosas. O objetivo declarado é não apenas ampliar o policiamento, mas também identificar atividades econômicas e fluxos financeiros relacionados ao crime organizado.

No âmbito municipal, a estratégia prevê o fortalecimento da Guarda Municipal. Segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, 386 novos integrantes serão treinados pela PRF, somando-se aos 600 agentes que já passaram pelo treinamento.

O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), afirmou que o município já utiliza o sistema Civitas Rio para compartilhar informações de monitoramento com órgãos estaduais e federais. Segundo ele, cinco divisas da cidade são atualmente monitoradas, com previsão de ampliação dessa estrutura.

A iniciativa federal e estadual não começou apenas nesta sexta-feira. Em 3 de setembro, o Ministério da Justiça e o governo fluminense já haviam formalizado acordos de cooperação destinados à integração das forças de segurança e à proteção dos principais corredores logísticos do estado.

Na véspera do lançamento, representantes do governo federal e do Rio avançaram para a elaboração dos primeiros Planos Operacionais Integrados, com previsão de atuação coordenada nas áreas consideradas prioritárias.

Estratégia ocorre em meio à pressão por respostas ao crime organizado

O lançamento acontece em um momento em que o combate às facções criminosas ocupa espaço central no debate político e na agenda de segurança pública. O governo federal também vem estruturando outras iniciativas voltadas ao enfrentamento do crime organizado.

Em 2026, foi lançado o Programa Brasil Contra o Crime Organizado, que prevê R$ 11,1 bilhões, sendo R$ 1,065 bilhão em recursos orçamentários e R$ 10 bilhões em linhas de crédito do BNDES destinadas a estados e municípios. O programa concentra ações em áreas como asfixia financeira das organizações criminosas, combate ao tráfico de armas, sistema penitenciário e investigação de homicídios.

A estratégia também ocorre enquanto autoridades ampliam a pressão sobre as estruturas econômicas das facções. Nesta semana, uma operação nacional da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado mobilizou agentes em 19 estados e determinou o bloqueio de mais de R$ 508 milhões em bens ligados a investigados por tráfico, lavagem de dinheiro e outros crimes associados às organizações criminosas.

No Rio, os números recentes mostram a dimensão do desafio. Dados divulgados pelo Instituto de Segurança Pública indicam que as forças estaduais apreenderam 4.308 armas nos oito primeiros meses de 2026, aumento de 10,3% em relação ao mesmo período de 2025. Entre elas estavam 595 fuzis, alta de 15,3% no acumulado do ano.

O governo federal também firmou acordo para ampliar o sistema penitenciário fluminense. O pacto prevê a criação de pelo menos 5.180 vagas entre 2026 e 2028, com recursos federais, estaduais e do Tribunal de Justiça do Rio.

Lula rejeita classificação de facções como terroristas

Durante a agenda no Rio, Lula voltou a rejeitar a proposta de classificar facções brasileiras como organizações terroristas, posição defendida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano). Lula afirmou que o conceito de terrorismo, em sua avaliação, deveria estar associado a ações de disputa de poder político.

O tema também entrou no debate eleitoral. O senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula na disputa presidencial segundo a reportagem de origem, defende uma política de classificação do PCC, do Comando Vermelho e das milícias como organizações narcoterroristas. A proposta faz parte do discurso de segurança apresentado por sua campanha.

A nova estratégia lançada no Rio, entretanto, concentra-se em mecanismos de cooperação entre diferentes forças de segurança, proteção das rotas estratégicas, retomada territorial e combate à estrutura financeira das organizações criminosas. O resultado da experiência deverá servir de referência para a eventual expansão do modelo para outros estados.