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Lula pode indicar governador do Rio ao STF após rejeição de Messias

Por Brasil no Centro Publicado em 4 de setembro de 2026 às 14:49 3 min de leitura
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Lula pode indicar governador do Rio ao STF após rejeição de Messias

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia indicar o governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) em meio ao ambiente de tensão entre integrantes da Corte e órgãos do governo federal. A possibilidade ganhou força entre aliados do Palácio do Planalto como uma alternativa para buscar uma acomodação institucional após a rejeição do nome de Jorge Messias pelo Senado.

A eventual escolha de Couto representaria uma mudança na estratégia inicial de Lula, que havia sinalizado a intenção de reapresentar o nome de Messias para o tribunal em caso de uma nova oportunidade. Integrantes do governo avaliam que a indicação do governador interino do Rio poderia ser interpretada como um gesto de distensionamento, já que ele não faz parte do núcleo político mais próximo do presidente.

Ricardo Couto assumiu temporariamente o comando do governo fluminense após a saída de Cláudio Castro (PL) e passou a ganhar visibilidade nacional durante sua gestão. O desembargador determinou revisões em contratos e promoveu mudanças administrativas no Executivo estadual, medidas que receberam elogios públicos de Lula.

Durante uma agenda no Rio de Janeiro, o presidente chegou a destacar a atuação de Couto à frente do estado e afirmou que ele vinha realizando uma “limpeza” na administração estadual. Pesquisa Datafolha divulgada recentemente apontou avaliação positiva de parte do eleitorado fluminense sobre a gestão interina.

Apesar da possibilidade de escolha de Couto, aliados de Lula reconhecem que abandonar a indicação de Jorge Messias representaria uma derrota política para o presidente. O atual chefe da Advocacia-Geral da União era considerado um nome de confiança do Palácio do Planalto e havia recebido apoio de setores do Supremo.

Além da discussão sobre a vaga no STF, uma ala próxima ao governo defende mudanças na direção da Polícia Federal. Integrantes do grupo avaliam que o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, perdeu capacidade de conduzir a instituição em meio ao conflito envolvendo ministros do Supremo, a PF e outros órgãos do Executivo.

Segundo esses aliados, uma eventual saída de Andrei poderia fazer parte de uma tentativa de reorganização das relações institucionais. O diretor-geral da Polícia Federal tem sido citado nas disputas envolvendo investigações relacionadas ao Banco Master e aos embates entre ministros do Supremo Tribunal Federal.

A crise aumentou após decisões envolvendo o ministro André Mendonça e relatórios produzidos pela Polícia Federal que trouxeram mensagens relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e integrantes da Corte. O episódio ampliou a disputa interna no Judiciário e colocou o governo federal sob pressão para buscar uma saída.

Lula tem procurado manter distância pública do conflito, argumentando que não deve interferir em decisões de outro Poder. Nos bastidores, porém, aliados defendem uma atuação política para evitar que a crise institucional ganhe ainda mais espaço no cenário eleitoral.

A definição sobre a próxima indicação ao Supremo dependerá dos próximos movimentos do presidente e da evolução das negociações entre governo, Senado e ministros da Corte.