Política com conteúdo. Centro com clareza.
quarta-feira, 28 de outubro
Assinar
Agora
Ana Elisa e deputados do PT pedem prisão de Flávio e inclusão na lista da InterpolSTF manda PF investigar suposta intervenção de grupo americano na eleição brasileiraKassab anuncia que PSD expulsará deputados que não apoiarem voto distrital mistoLula pode indicar Rodrigo Pacheco ao STF ainda em 2026Lula confirma apoio de PT a recondução de Alcolumbre e Motta no Congresso
Política

Lula pode indicar Rodrigo Pacheco ao STF ainda em 2026

Por Brasil no Centro Publicado em 27 de outubro de 2026 às 14:15 6 min de leitura
Compartilhar
Lula pode indicar Rodrigo Pacheco ao STF ainda em 2026

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acelerou as articulações para preencher a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) desde a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. O principal nome em discussão é o do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB), atualmente ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), que poderá ser indicado à Corte ainda em 2026.

Segundo informações publicadas nesta terça-feira (27) pelo jornal Valor Econômico, integrantes do governo e do PSB confirmam que a indicação de Pacheco ganhou força após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno presidencial. A expectativa dos interlocutores é que a mensagem com a escolha seja encaminhada ao Senado nos próximos dias, permitindo a realização da sabatina e da votação até o fim de novembro.

A movimentação ocorre seis meses depois de uma derrota do governo na escolha de um ministro para o Supremo. Em abril, o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias, então advogado-geral da União, apresentado por Lula para ocupar a cadeira deixada por Barroso.

A rejeição expôs divergências entre o Palácio do Planalto e a presidência do Senado, comandada por Davi Alcolumbre (União Brasil), que defendia a escolha de Rodrigo Pacheco. Desde então, a vaga permanece desocupada.

O cenário político começou a mudar durante a campanha eleitoral. Lula e Alcolumbre retomaram o diálogo depois de meses de afastamento, e o presidente do Senado passou a participar de negociações importantes para o governo.

Na segunda-feira (26), um dia após a reeleição, Alcolumbre e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), estiveram reunidos com Lula no Palácio da Alvorada, em Brasília.

A possível indicação de Pacheco esteve entre os temas discutidos nos bastidores do encontro, de acordo com interlocutores ouvidos pela imprensa. O ex-presidente do Senado é um nome próximo de Alcolumbre e mantém relações com parlamentares de diferentes partidos, além de integrantes do Judiciário.

A intenção de concluir a escolha ainda neste ano está relacionada à mudança na composição do Senado Federal.

Em fevereiro de 2027, tomarão posse os parlamentares eleitos em outubro. O PL, partido de Flávio Bolsonaro, passará a contar com 28 dos 81 senadores, tornando-se a maior bancada da Casa.

A nova composição deverá ampliar a influência de parlamentares de direita, incluindo integrantes de grupos que defendem uma postura mais rigorosa em relação ao Supremo Tribunal Federal.

Pacheco enfrentou críticas de setores do bolsonarismo enquanto presidia o Senado por não colocar em votação pedidos de impeachment apresentados contra ministros da Corte.

Embora a Constituição atribua ao presidente da República a escolha dos ministros do STF, a nomeação depende da aprovação da maioria absoluta do Senado, correspondente a pelo menos 41 votos.

Por isso, interlocutores do governo consideram que a votação ainda em 2026 poderá oferecer condições políticas diferentes das previstas para a legislatura que começará no próximo ano.

O desempenho recente de Pacheco em votações no Congresso também é considerado nas articulações.

Em setembro, o ex-senador foi aprovado para ocupar uma cadeira no Tribunal de Contas da União. A indicação recebeu 63 votos favoráveis e quatro contrários no Senado. Na Câmara dos Deputados, foram 404 votos a favor e 61 contra, além de uma abstenção.

Pacheco assumiu o cargo no TCU no início de outubro, depois de sua nomeação para a vaga deixada por Bruno Dantas.

A votação expressiva demonstrou sua capacidade de reunir apoio de diferentes correntes partidárias, embora a aprovação para o Tribunal de Contas não assegure automaticamente o mesmo resultado em uma eventual indicação ao Supremo.

Na Câmara, o parecer favorável à indicação de Pacheco ao TCU foi relatado pelo deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), que recomendou sua aprovação.

A eventual transferência de Pacheco para o Supremo também abriria uma nova negociação política para o preenchimento de sua cadeira no Tribunal de Contas da União.

Uma das possibilidades mencionadas pelo Valor Econômico é a escolha de Renan Calheiros (MDB), que não conseguiu se reeleger senador por Alagoas nas eleições deste ano.

O ex-presidente do Senado mantém uma longa relação política com Lula e possui experiência na articulação parlamentar.

Outras alternativas, entretanto, também estão em discussão. A ex-ministra Simone Tebet (PSB), derrotada na disputa pelo Senado em São Paulo, é citada em conversas entre integrantes do governo e interlocutores de Alcolumbre.

Segundo informações divulgadas anteriormente pela CNN Brasil, a participação de Tebet no TCU é considerada por integrantes do Planalto, mas ainda não existe acordo sobre a sucessão de Pacheco no tribunal.

A definição dependerá das regras aplicáveis à vaga e das negociações entre os responsáveis pela indicação.

A escolha para o Supremo também representa uma decisão importante para a composição futura da Corte.

Durante seu quarto mandato, Lula poderá indicar os substitutos de outros três ministros que alcançarão a idade de aposentadoria compulsória até 2030.

Luiz Fux completará 75 anos em abril de 2028, Cármen Lúcia em abril de 2029 e Gilmar Mendes em dezembro de 2030.

Somadas à cadeira atualmente desocupada, as aposentadorias previstas poderão permitir que Lula indique quatro ministros ao STF entre o fim de 2026 e o encerramento de seu próximo mandato.

Essas nomeações terão efeitos sobre a composição do tribunal durante os anos seguintes, já que os ministros poderão permanecer em seus cargos até a aposentadoria compulsória, salvo desligamento antecipado.

A prerrogativa presidencial de indicar integrantes do Supremo, contudo, não elimina a independência judicial assegurada pela Constituição. Uma vez nomeados, os magistrados não estão juridicamente subordinados ao presidente responsável por sua escolha.

No caso de Rodrigo Pacheco, a articulação reúne interesses do governo federal, de setores do Senado e de integrantes do Judiciário favoráveis ao seu nome.

A reaproximação entre Lula e Alcolumbre removeu parte dos obstáculos políticos que haviam dificultado a escolha anterior, mas o presidente ainda precisa formalizar a indicação.

Até esta terça-feira (27), não havia anúncio oficial do Palácio do Planalto confirmando Pacheco como candidato à vaga.

Caso a indicação seja apresentada nas próximas semanas, o ex-presidente do Senado deverá passar por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça e posteriormente enfrentar votação secreta no plenário da Casa.

A movimentação permitirá ao governo tentar resolver ainda em 2026 a sucessão de Luís Roberto Barroso, antes da posse de uma nova legislatura que terá uma bancada de oposição mais numerosa.