Lula racha base no Maranhão e PT terá candidatura própria

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oficializou nesta semana o apoio à pré-candidatura do vice-governador Felipe Camarão (PT) ao governo do Maranhão e ampliou a tensão dentro da própria base governista no estado. O gesto político marca uma ruptura definitiva entre setores históricos da esquerda maranhense e o grupo liderado pelo governador Carlos Brandão, hoje sem partido, que passou a apoiar o nome de Orleans Brandão (MDB) para a sucessão estadual.
A declaração de Lula ocorreu em vídeo divulgado nas redes sociais, no qual o presidente incentivou Camarão a disputar o comando do estado e afirmou acreditar na vitória do petista em 2026. O movimento foi interpretado nos bastidores como uma sinalização clara de que o PT pretende ter protagonismo próprio no Maranhão, mesmo diante do desgaste interno causado pela fragmentação da base aliada.
Felipe Camarão ocupa atualmente a vice-governadoria e foi um dos principais aliados do ex-governador Flávio Dino durante os anos de domínio político do grupo socialista no estado. Nos últimos meses, porém, o cenário mudou após o afastamento político entre Dino e Brandão, que deixou o PSB e passou a construir uma articulação independente ao lado do MDB.
Do outro lado da disputa, Orleans Brandão tenta consolidar sua imagem como herdeiro político do atual governo estadual. Ex-secretário de Assuntos Municipalistas e sobrinho de Carlos Brandão, ele passou a percorrer o interior do estado em busca de alianças e fortalecimento regional, apostando na estrutura administrativa e no apoio de prefeitos para ganhar competitividade eleitoral.
Enquanto isso, o ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide (PSD) aparece como um dos nomes mais competitivos para a disputa. Reeleito com ampla votação na capital maranhense, Braide busca ocupar o espaço de centro moderado em meio à polarização crescente entre grupos ligados ao PT e setores mais alinhados ao governo estadual.
A entrada oficial de Lula na campanha estadual tende a nacionalizar ainda mais o debate político no Maranhão. Integrantes de partidos de centro avaliam que a antecipação do embate pode dificultar alianças amplas e ampliar a divisão dentro do próprio campo governista, especialmente em um momento em que legendas buscam construir palanques equilibrados para 2026.
Nos bastidores, lideranças políticas do estado reconhecem que o cenário maranhense deve se transformar em uma das disputas mais simbólicas do Nordeste. A eleição reunirá antigos aliados em campos opostos e colocará à prova o peso eleitoral do presidente Lula em um estado historicamente estratégico para o PT.