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Marina Silva cobra recursos da REDE e alega ter recebido 1/3 do valor de Janones para campanha

Por Brasil no Centro Publicado em 24 de setembro de 2026 às 14:23 4 min de leitura
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Marina Silva cobra recursos da REDE e alega ter recebido 1/3 do valor de Janones para campanha

A campanha de Marina Silva (Rede) ao Senado por São Paulo cobra da direção nacional do partido um novo repasse do fundo eleitoral para os últimos dias da disputa. O pedido ocorre em meio a uma disputa interna na legenda e à comparação entre os valores destinados a diferentes candidaturas.

Até o momento, Marina recebeu R$ 1 milhão do fundo eleitoral da Rede, enquanto André Janones, que ingressou no partido neste ano e disputa uma vaga na Câmara dos Deputados por Minas Gerais, recebeu R$ 3 milhões. A diferença significa que o valor destinado à campanha de Marina corresponde a um terço do montante repassado a Janones. Os dados foram publicados pela Folha.

A distribuição dos recursos tornou-se mais um ponto de tensão dentro da Rede, que atravessa uma disputa interna pelo comando da legenda. Marina permaneceu no partido durante a janela partidária e disputa uma das duas vagas ao Senado por São Paulo.

Além de Janones, que recebeu R$ 3 milhões, a ex-senadora Heloísa Helena, candidata a deputada federal pelo Rio de Janeiro, já recebeu R$ 2,8 milhões do fundo eleitoral. O fundo da Rede para as eleições de 2026 soma R$ 35,8 milhões, segundo os dados citados pela reportagem.

A campanha de Marina considera que o valor recebido até agora é insuficiente diante da natureza majoritária da disputa. A ex-ministra também recebeu recursos do PSOL, partido que integra uma federação com a Rede. Segundo a prestação de contas apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral, Marina recebeu R$ 1,1 milhão do PSOL, valor superior ao repasse feito pela própria Rede.

O coordenador da campanha, Bazileu Margarido, encaminhou nesta terça-feira (23) um ofício à direção nacional da Rede solicitando mais R$ 1,2 milhão para as atividades da reta final. No documento, ele argumenta que Marina aparece entre as candidaturas mais competitivas nas pesquisas eleitorais e afirma que o novo repasse elevaria a soma recebida pela campanha a um patamar equivalente a 30% do teto de gastos estabelecido para a disputa ao Senado em São Paulo.

A cobrança ocorre enquanto a Rede enfrenta divergências internas. Aliados de Marina associam a distribuição dos recursos à disputa política dentro da legenda e questionam os critérios utilizados para definir os valores destinados às candidaturas.

A direção partidária, por sua vez, apresenta outra interpretação sobre a distribuição. O presidente da Rede, Paulo Lamac, afirmou que a legenda possui um dos menores fundos eleitorais e que a transferência de recursos do PSOL para Marina faz parte da estratégia conjunta da federação. Segundo ele, a candidatura teria alcançado aproximadamente R$ 2,1 milhões em recursos provenientes das duas siglas.

Lamac também afirmou que a campanha de Marina recebeu outros recursos além do fundo eleitoral. De acordo com os dados citados pela direção partidária, a candidatura arrecadou mais de R$ 770 mil em doações de pessoas físicas, R$ 75 mil por meio de financiamento coletivo e R$ 107 mil provenientes de outras campanhas.

As regras eleitorais permitem que os partidos estabeleçam critérios próprios para a distribuição do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, desde que sejam respeitadas as normas definidas pela Justiça Eleitoral e as destinações obrigatórias previstas na legislação. O TSE informa que os critérios de distribuição devem ser aprovados pelos órgãos nacionais de direção partidária e que os valores recebidos pelas candidaturas precisam ser informados à Justiça Eleitoral.

Na disputa pelo Senado em São Paulo, Marina concorre a uma das duas vagas disponíveis neste ano. No levantamento Datafolha citado pela Folha, ela aparece tecnicamente empatada com Simone Tebet (PSB), André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP).

Com a aproximação da votação, a campanha tenta ampliar os recursos disponíveis para publicidade, mobilização e demais atividades eleitorais. O pedido de R$ 1,2 milhão agora está nas mãos da direção nacional da Rede, enquanto a disputa interna da legenda segue como pano de fundo para a discussão sobre a distribuição do fundo eleitoral.