Medidas de Lula às vésperas da eleição exigem ajuste de R$ 33 bilhões no Orçamento de 2027

A menos de uma semana do primeiro turno, medidas anunciadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) devem exigir um ajuste de aproximadamente R$ 33 bilhões no projeto de Orçamento de 2027. A conta reúne o aumento previsto para o Bolsa Família, os recursos reservados à nova etapa do Desenrola e a receita que deixaria de ser arrecadada com a proibição das apostas online. As três medidas têm efeitos diferentes sobre as contas públicas e ainda dependem de sua execução ao longo do próximo ano.
A maior parcela corresponde ao Bolsa Família. O reajuste de 15,04% nos benefícios começa a valer em outubro e representa uma necessidade adicional estimada em R$ 22,7 bilhões para 2027. O Ministério do Desenvolvimento Social afirma que a atualização recompõe a inflação acumulada desde março de 2023. Para este ano, a despesa extra estimada com o aumento é de R$ 5,8 bilhões.
O novo Desenrola, anunciado na sexta-feira (25), prevê que a União adquira com desconto carteiras de dívidas antigas para renegociá-las com os consumidores. A medida provisória estabelece um limite de R$ 15 bilhões para essas operações, dos quais R$ 5 bilhões estão previstos para 2027. Trata-se de uma operação financeira que pode permitir a recuperação de parte dos valores; por isso, o montante reservado não equivale, necessariamente, a uma perda definitiva para o Tesouro. l
A proibição das bets traz outro efeito: a retirada de uma fonte de arrecadação. A estimativa considerada no Orçamento de 2027 é de R$ 5,3 bilhões em receitas que deixariam de entrar nos cofres federais. Para os últimos meses de 2026, a perda projetada é de R$ 1,5 bilhão. Somada ao custo do reajuste do Bolsa Família neste ano, a pressão estimada chega a R$ 7,3 bilhões, sem incluir todas as medidas anunciadas pelo governo.
Também foi prorrogado o subsídio ao diesel até 26 de outubro. O governo afirma que a despesa será financiada por receitas extraordinárias relacionadas à alta do petróleo e, por esse motivo, não a inclui na mesma estimativa de pressão adicional sobre o Orçamento. Outra intenção anunciada, a oferta de medicamentos injetáveis para obesidade pelo Sistema Único de Saúde, ainda não tem alcance nem custo definidos.
A equipe econômica sustenta que conseguirá acomodar as novas despesas de 2026 por meio de remanejamentos e mantém a previsão de cumprir a meta fiscal do ano. Para 2027, o projeto de Orçamento precisará incorporar os gastos e rever a receita esperada com as apostas. Como parte das medidas foi anunciada durante a campanha pela reeleição, seu calendário entrou no debate político. O governo nega que os anúncios tenham finalidade eleitoral.