
O deputado federal Mendonça Filho decidiu encerrar uma trajetória de mais de quatro décadas no União Brasil e oficializou sua filiação ao PL, em movimento que redesenha o cenário político em Pernambuco e repercute nacionalmente. A saída ocorre após o desgaste interno provocado pela federação firmada entre União Brasil e PP, homologada recentemente pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Mendonça Filho (PL) comunicou sua decisão à direção nacional da antiga sigla por meio de carta, afirmando que a mudança resulta de uma reflexão política e da busca por novos caminhos. O parlamentar, que já ocupou o Ministério da Educação e atualmente atua como relator da PEC da Segurança na Câmara, reforçou que seguirá em oposição ao governo federal.
Ao anunciar a filiação, Mendonça Filho declarou que permanece como voz crítica ao PT e defensor do respeito às instituições e à Constituição. A aproximação com o PL ocorreu após convite do senador Flávio Bolsonaro e do senador Rogério Marinho, lideranças que articulam o fortalecimento da legenda para as próximas disputas eleitorais.
A movimentação acontece em meio a um cenário complexo em Pernambuco. O apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem sendo disputado por diferentes pré-candidaturas ao governo estadual, enquanto o campo conservador enfrenta dificuldades para consolidar uma aliança competitiva. O PL viveu recentemente um racha interno no estado, com troca de comando e disputas por espaço nas chapas majoritárias.
O diretório pernambucano passou a ser comandado pelo ex-prefeito Anderson Ferreira, após a saída conturbada de Gilson Machado, ex-ministro do Turismo. O episódio evidenciou a fragmentação da legenda no estado, fator que tem limitado sua capacidade de articulação regional.
Nos bastidores, o nome de Mendonça Filho vinha sendo cogitado para disputar o Senado, mas ele mantém, por ora, a pré-candidatura à reeleição para a Câmara dos Deputados. A mudança de partido, contudo, o reposiciona dentro de um campo político que busca ampliar palanques e consolidar oposição ao governo federal.
A reconfiguração partidária ocorre em um ambiente de elevada polarização nacional. Enquanto o lulismo tenta manter influência no Nordeste, lideranças do centro democrático observam a fragmentação tanto do PT quanto do bolsonarismo como oportunidade para reconstruir pontes e fortalecer uma agenda institucional voltada à responsabilidade fiscal, segurança pública e estabilidade política.