Mensagens revelam proximidade entre filho de Fux e Vorcaro antes de crise do Banco Master

Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, revelam uma relação de proximidade entre o banqueiro e o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux (STF). Os diálogos, que vieram a público nesta terça-feira (15), mostram contatos frequentes, encontros presenciais e conversas sobre compromissos envolvendo integrantes do Judiciário.
Em diferentes momentos, Rodrigo Fux e Vorcaro utilizaram um tom informal nas conversas. O advogado chegou a tratar o banqueiro como “irmão” e, ao combinar uma reunião em seu escritório no Rio de Janeiro, escreveu que o receberia com “tapete vermelho”. Os registros também indicam que os dois discutiram assuntos profissionais e marcaram encontros em diferentes cidades.
O escritório Fux Advogados afirmou que nunca representou Daniel Vorcaro, o Banco Master ou empresas e fundos relacionados ao grupo. Segundo a manifestação, houve apenas uma tentativa de aproximação comercial por parte de Vorcaro e seus sócios, mas a negociação não avançou. O escritório sustenta ainda que essa aproximação ocorreu mais de um ano antes de surgirem as notícias sobre suspeitas de fraudes envolvendo o banqueiro.
As conversas começaram a ganhar maior frequência em 2024. Em maio daquele ano, Rodrigo iniciou uma mensagem chamando Vorcaro de “irmão”. Em dezembro, os dois combinaram um encontro no escritório do advogado, no Rio. Quando Vorcaro informou que chegaria por volta das 14h, Rodrigo respondeu que reorganizaria sua agenda para recebê-lo e, depois, confirmou o encontro com a expressão “tapete vermelho”.
Em novembro de 2024, Vorcaro também procurou Rodrigo para pedir ajuda em um caso. O advogado respondeu que teria satisfação em auxiliar e os dois marcaram uma videoconferência. Depois da conversa, Vorcaro enviou um documento para análise.
Os registros apontam ainda para contatos presenciais em Brasília. Em fevereiro de 2025, Rodrigo Fux estava no Superior Tribunal de Justiça quando perguntou a Vorcaro onde poderia encontrá-lo. Após uma ligação, informou que chegaria por volta das 17h30 ao endereço indicado pelo banqueiro, no Lago Sul.
Outro conjunto de mensagens, de março de 2025, apresenta uma referência direta ao ministro Luiz Fux. Rodrigo procurou Vorcaro para combinar uma reunião em Brasília e afirmou que precisaria passar antes pelo aniversário do ministro Luís Roberto Barroso. O encontro acabou sendo transferido para a manhã seguinte.
No dia seguinte, após confirmar que chegaria às 10h30, Rodrigo voltou a conversar com Vorcaro algumas horas depois. Às 13h29, perguntou qual era a data de um compromisso em Londres. Na sequência, pediu que as informações fossem encaminhadas para seu próprio e-mail e também para Patrícia, identificada nas mensagens como secretária de seu pai.
O advogado forneceu um endereço de e-mail com domínio institucional do Supremo Tribunal Federal e escreveu: “E para a Patrícia. Secretária do meu pai. Com cópia pra mim”. Vorcaro respondeu que pediria o envio das informações.
As mensagens, contudo, não permitem concluir, isoladamente, que Luiz Fux tenha participado das tratativas entre o filho e Vorcaro ou que tenha tido qualquer atuação relacionada aos interesses do banqueiro. O ministro foi procurado por meio da assessoria do STF, mas não havia se manifestado até a publicação da reportagem original.
Conteúdo do celular chegou aos ministros
A divulgação dos diálogos ocorre no mesmo momento em que a Polícia Federal entregou aos gabinetes dos ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes o conteúdo integral extraído do celular de Vorcaro.
Os magistrados solicitaram acesso aos dados para avaliar elementos relacionados à investigação que envolve as comunicações entre Vorcaro e Moraes. O material passou a integrar o ambiente de tensão que antecede a sessão do STF desta terça-feira, marcada para discutir os desdobramentos do relatório produzido pela Polícia Federal.
As mensagens envolvendo Rodrigo Fux fazem parte de um conjunto mais amplo de registros que revelaram contatos de Vorcaro com pessoas próximas a diferentes integrantes da Corte. Outros documentos também mencionam relações com familiares ou interlocutores ligados a ministros do Supremo.
Em outro episódio já revelado pela imprensa, Rodrigo Fux esteve em um camarote de Vorcaro durante o Carnaval de 2025. A assessoria do advogado afirmou, na ocasião, que o banqueiro havia tentado estabelecer uma aproximação comercial, mas que não houve contratação.
A existência dos contatos e encontros registrados nas mensagens não constitui, por si só, prova de irregularidade ou de interferência em decisões judiciais. O conteúdo passou a ser analisado pelas autoridades justamente no contexto das investigações sobre a rede de relações mantida por Vorcaro e seus desdobramentos no Judiciário.