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Política

Metade dos alunos brasileiros estão abaixo do esperado

Por Brasil no Centro Publicado em 8 de setembro de 2026 às 10:13 5 min de leitura
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Metade dos alunos brasileiros estão abaixo do esperado

O desempenho dos estudantes brasileiros permanece praticamente estagnado há uma década, segundo os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) de 2025, divulgados nesta terça-feira (8). O levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostra que o país continua distante dos níveis de aprendizagem registrados, em média, pelos países avaliados, especialmente em Matemática.

Entre 2022 e 2025, a pontuação brasileira em Ciências avançou de 403 para 409 pontos. Em Leitura, houve uma pequena redução, de 410 para 408 pontos, enquanto Matemática caiu de 379 para 377. O resultado mantém o Brasil em um patamar considerado baixo de aprendizagem e confirma a dificuldade de produzir avanços consistentes na educação básica.

A distância para a média da OCDE permanece expressiva. Em Matemática, os estudantes brasileiros alcançaram 377 pontos, contra 469 dos países da organização, uma diferença de 92 pontos. Em Leitura, a distância é de 58 pontos, com 408 pontos para o Brasil e 466 para a média da OCDE.

O resultado brasileiro ganha ainda mais relevância quando se observa a evolução histórica. Desde 2006, o país registrou crescimento de apenas sete pontos em Matemática e de 15 pontos em Leitura. A redução da distância em relação aos países desenvolvidos ocorreu, em boa medida, porque algumas das nações mais bem avaliadas também perderam desempenho nos últimos anos.

A Finlândia é um dos exemplos mais expressivos. Entre 2006 e 2025, o país perdeu 80 pontos em Matemática, passando de 548 para 469, e 73 pontos em Leitura, de 547 para 474. Mesmo com essa queda, a pontuação finlandesa continua significativamente acima da brasileira.

Um dos dados mais preocupantes do Pisa 2025 está na proporção de estudantes que sequer alcançaram o nível básico de proficiência. Em Matemática, somente 28% dos alunos brasileiros chegaram ao nível básico ou a um patamar superior. Isso significa que 72% ficaram abaixo desse estágio de aprendizagem. Na média da OCDE, 65% dos estudantes atingiram pelo menos o nível básico.

Em Ciências, 48% dos brasileiros alcançaram o nível básico ou acima dele, enquanto a média da OCDE chegou a 74%. Em Leitura, o percentual brasileiro foi de 49%, diante de 69% entre os países da organização.

O nível básico é considerado um patamar mínimo de domínio das competências avaliadas para estudantes de aproximadamente 15 anos. Em Matemática, por exemplo, significa ser capaz de reconhecer como uma situação simples pode ser representada matematicamente e resolver problemas cotidianos, como comparar distâncias ou converter valores entre moedas. Em Leitura, envolve identificar a ideia principal de um texto de extensão moderada e localizar informações apresentadas de maneira explícita.

No ranking geral, considerando 90 países e economias participantes, o Brasil aparece entre os desempenhos mais baixos. O país tem a 24ª menor pontuação em Matemática, a 36ª menor em Leitura e a 24ª menor em Ciências.

Na América Latina, o Brasil também fica atrás de países como Uruguai, Chile e México. O desempenho brasileiro, por outro lado, supera o de Peru, Argentina e Equador.

Os resultados mostram ainda uma mudança no mapa internacional da educação. Países asiáticos passaram a dominar as primeiras posições do Pisa, enquanto nações que tradicionalmente apresentavam desempenho elevado, especialmente na Europa, registraram perdas importantes.

Em 2025, as regiões chinesas de Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang, avaliadas conjuntamente, lideraram em Matemática e Ciências. Em Leitura, Cingapura ficou na primeira posição. Mesmo entre os líderes, porém, houve recuos em relação à edição anterior. Cingapura, por exemplo, registrou queda nas três áreas avaliadas, com redução de 12 pontos em Matemática.

O relatório da OCDE também aponta mudanças no comportamento dos estudantes e no ambiente escolar como fatores associados à perda de aprendizagem observada internacionalmente. Entre os aspectos mencionados estão a menor disposição para atividades que exigem esforço prolongado, dificuldades de concentração, mudanças nos hábitos de leitura, maior utilização de dispositivos digitais, absenteísmo e redução do apoio familiar.

As condições dentro das escolas também aparecem entre os fatores apontados pelo estudo. Problemas relacionados ao clima em sala de aula e à disciplina podem reduzir o tempo efetivamente disponível para o aprendizado.

O Pisa é realizado a cada três anos pela OCDE e avalia estudantes de aproximadamente 15 anos em diferentes países e economias. A edição de 2025 reuniu mais de 760 mil alunos, representando cerca de 33 milhões de jovens.

No Brasil, participaram 30.140 estudantes de 1.053 escolas. A amostra representa aproximadamente 2,1 milhões de jovens de 15 anos, correspondendo a cerca de 76% da população brasileira nessa faixa etária.

Os alunos responderam a testes de Matemática, Leitura e Ciências, além de questionários sobre suas condições familiares, experiências escolares, hábitos de aprendizagem e diferentes aspectos relacionados à vida acadêmica.

Os números do Pisa 2025 colocam novamente a qualidade da educação brasileira diante de um desafio que ultrapassa governos e ciclos eleitorais. Com mais de sete em cada dez estudantes abaixo do nível básico em Matemática, o resultado evidencia a dificuldade do país em transformar acesso à escola em aprendizagem efetiva.