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Milton Leite é internado após crise de pressão alta, mas Justiça mantém prisão

Por Brasil no Centro Publicado em 19 de setembro de 2026 às 16:39 4 min de leitura
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Milton Leite é internado após crise de pressão alta, mas Justiça mantém prisão

O ex-vereador de São Paulo Milton Leite (União Brasil) foi levado a um hospital neste sábado (19) depois de apresentar sintomas de pressão alta durante a manhã, após passar a noite na cadeia pública de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. A prisão, porém, foi mantida pela Justiça durante audiência de custódia. Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, não foram identificadas irregularidades no cumprimento do mandado.

Leite havia se apresentado à Polícia Civil na tarde de sexta-feira (18), depois de ter sido alvo de um mandado de prisão temporária na Operação Vectura Corrupta. A ordem judicial tem validade de 30 dias e está relacionada a uma investigação sobre a suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital, o PCC, no sistema de transporte coletivo de São Paulo.

A operação é conduzida pelo Ministério Público e pela Polícia Civil e investiga possíveis relações entre integrantes da organização criminosa, empresas de transporte, agentes públicos e operadores políticos. Segundo os investigadores, pelo menos 12 das 22 empresas que atuam no transporte coletivo da capital aparecem relacionadas ao esquema investigado.

Milton Leite passou 27 anos na Câmara Municipal de São Paulo e presidiu o Legislativo paulistano por seis vezes. Na investigação, seu nome aparece associado à operação de empresas que, segundo o Ministério Público, teriam sido utilizadas pelo grupo criminoso. A decisão judicial também menciona declarações de policiais militares que o apontam como o chamado “dono de fato” da Transwolff, empresa que já havia sido alvo de investigação anterior.

O ex-vereador nega qualquer relação com o PCC e afirma que não cometeu crime. Ao se entregar, declarou que pretende utilizar o processo para apresentar sua defesa e provar sua inocência. A defesa também sustenta que Leite não possui participação societária nem exercia função de gestão na Transwolff.

A prisão ocorreu depois de uma sequência de acontecimentos iniciada na quinta-feira (17), quando policiais foram à residência de Leite para cumprir o mandado, mas não o encontraram. Na ocasião, ele afirmou que estava viajando e que se apresentaria às autoridades em até 24 horas. A apresentação, contudo, ocorreu aproximadamente 38 horas depois da declaração.

Na sexta-feira, enquanto as buscas continuavam, a Polícia Civil esteve em um imóvel de um assessor ligado ao ex-vereador em Sorocaba. Leite não foi localizado no endereço, mas os agentes apreenderam dinheiro e documentos. Foram encontrados R$ 287 mil e US$ 89 mil, segundo informações divulgadas durante a investigação.

A Operação Vectura Corrupta também alcançou outros investigados, entre eles o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira e um candidato a deputado estadual. Ao todo, foram expedidos 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em São Paulo, na região metropolitana e na Baixada Santista.

As investigações apontam ainda para suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e possível utilização de estruturas do transporte público para movimentação de recursos relacionados ao crime organizado. Também são apuradas possíveis conexões entre a facção e o financiamento de campanhas políticas.

Apesar das acusações investigadas, não há condenação contra Milton Leite pelos fatos apurados na operação. A prisão é temporária e integra uma fase de investigação, enquanto a Justiça ainda deverá analisar os elementos reunidos pelas autoridades e as manifestações da defesa.

O caso amplia a pressão sobre as estruturas de controle do transporte público paulista e sobre as relações entre o poder público e empresas responsáveis por serviços essenciais. A investigação deverá avançar nos próximos dias para esclarecer a extensão das conexões apontadas pelo Ministério Público e definir a eventual responsabilidade de cada investigado.