Milton Leite nega acusações e diz que vai se apresentar após operação que apura ligação com empresas investigadas

O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) afirmou nesta quinta-feira (17) que é inocente e que irá se apresentar às autoridades após ser alvo de um mandado de prisão durante uma operação que investiga suspeitas de envolvimento de empresas de transporte com atividades criminosas.
Segundo a investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo, Milton Leite é suspeito de ter influência em decisões estratégicas relacionadas a empresas do setor de transporte coletivo investigadas por possíveis vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A operação, chamada Vectura Corrupta, apura a atuação de grupos que teriam utilizado estruturas empresariais para movimentar recursos e ampliar influência.
Em nota divulgada por sua assessoria, o político afirmou que estava viajando e negou estar foragido. “Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações”, declarou.
Em entrevista por telefone à TV Globo, Milton Leite classificou a operação como uma perseguição e afirmou que não há provas contra ele.
“Eu nego veementemente as acusações. Que apresentem uma única prova. Vou me apresentar e esclarecer todos os fatos”, afirmou.
A Polícia Civil informou que não encontrou o ex-vereador no endereço onde cumpriria o mandado de prisão e passou a considerá-lo foragido. Segundo os investigadores, equipes permaneceram no local para cumprir também ordens de busca e apreensão.
Ao todo, a operação autorizada pela Justiça prevê o cumprimento de 16 mandados de prisão e 18 mandados de busca e apreensão em municípios como São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
Investigação apura suposta influência política em empresas de transporte
De acordo com a investigação, decisões relacionadas a empresas do setor de transporte sob suspeita de ligação com o crime organizado dependeriam do conhecimento ou da autorização política de Milton Leite.
Os investigadores afirmam que a conclusão foi baseada na análise de interceptações telefônicas, documentos e informações reunidas em fases anteriores da apuração.
O pedido que fundamentou a operação cita ainda relatos de policiais militares apresentados ao Tribunal de Justiça Militar de São Paulo, nos quais Milton Leite é apontado como suposto controlador de fato da empresa Transwolff, uma das companhias investigadas.
O ex-parlamentar deixou a vida pública em 2024, após sete mandatos como vereador e quatro passagens pela presidência da Câmara Municipal de São Paulo. Atualmente, ele preside o União Brasil na capital paulista e também ocupa a presidência estadual da Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo Progressistas.
A operação é realizada pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo.
Operação é desdobramento de investigações anteriores
A ação desta quinta-feira é uma continuidade de investigações que começaram em 2024, quando a Polícia Civil e o Ministério Público paulista iniciaram a Operação Decurio.
Na primeira etapa, a investigação teve origem após a apreensão de drogas em Itaquaquecetuba e a análise de dados encontrados em celulares ligados a integrantes de uma organização criminosa. As informações levaram à identificação de lideranças e de uma estrutura financeira que, segundo os investigadores, teria movimentado bilhões de reais.
Em 2026, a Operação Contaminação aprofundou a apuração sobre uma suposta tentativa de infiltração do crime organizado em estruturas municipais, incluindo contratos públicos e serviços relacionados à administração das cidades.
A Polícia Civil afirma que as investigações buscam esclarecer possíveis crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção e fraudes em contratos públicos.
Milton Leite nega qualquer participação em irregularidades e afirma que irá apresentar sua defesa durante o andamento do processo.