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Ministro do TCU destinou R$ 13 milhões para 300 casas em Roraima e só uma foi construída

Por Brasil no Centro Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 14:40 3 min de leitura
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Ministro do TCU destinou R$ 13 milhões para 300 casas em Roraima e só uma foi construída

Um terreno tomado pelo mato, sem qualquer sinal de obras, resume o destino de R$ 13 milhões em recursos públicos enviados para a construção de 300 casas populares em Iracema, no interior de Roraima. Do projeto anunciado com pompa política, apenas uma única unidade habitacional foi erguida. Hoje, ela está abandonada, sem moradores e já em processo de deterioração.

Os recursos foram indicados por Jhonatan de Jesus, à época deputado federal e atualmente ministro do Tribunal de Contas da União, em conjunto com seu pai, o senador Mecias de Jesus, do Republicanos. As emendas, classificadas como emendas Pix, tinham como destino a construção das moradias e também obras de infraestrutura viária no município.

A promessa era de que o conjunto habitacional estivesse pronto até o fim de 2024. O projeto serviria como vitrine política para o então prefeito Jairo Ribeiro, aliado da família. Mais de um ano depois, porém, o cenário é de completo abandono. Não há fundações, canteiro de obras ou qualquer sinal das outras 299 casas anunciadas.

A prefeitura de Iracema afirma que os recursos foram utilizados na elaboração de projetos técnicos obrigatórios para uma futura execução das unidades habitacionais. Não apresentou, contudo, cronograma atualizado nem explicou por que nenhuma etapa concreta da construção foi iniciada. Órgãos federais também não aprovaram os projetos por falta de informações e descumprimento de metas exigidas.

O caso ganha contornos ainda mais sensíveis porque Jhonatan de Jesus, já como ministro do TCU, atua como relator de processos relevantes na Corte e tem papel central na fiscalização do uso de recursos públicos. Segundo reportagens anteriores, ele indicou ao menos R$ 42 milhões em emendas para Roraima que resultaram em obras inacabadas ou sem prestação de contas adequada.

Procurado, o ministro nega qualquer irregularidade e afirma que a responsabilidade pela execução, fiscalização e transparência dos recursos é exclusivamente dos municípios beneficiados, conforme determina a legislação. O senador Mecias de Jesus adotou o mesmo discurso, reforçando que o papel do parlamentar se limita à indicação da verba.

O episódio em Iracema escancara uma fragilidade estrutural no modelo das emendas Pix. Recursos vultosos são transferidos com rapidez, mas sem garantias efetivas de execução, fiscalização e entrega à população. No papel, o dinheiro chegou. Na prática, a política habitacional prometida nunca saiu do chão.