No Amapá, gestão de Dr. Furlan empregou ligados a facção criminosa, diz Polícia Civil.

Uma investigação da Polícia Civil do Amapá aponta que ao menos 12 pessoas suspeitas de ligação com organizações criminosas foram contratadas ou nomeadas para funções na Prefeitura de Macapá entre 2021 e 2026. Os vínculos ocorreram durante a gestão do então prefeito Antônio Paulo de Oliveira Furlan (PSD), atualmente candidato ao governo do estado.
Segundo informações obtidas pela CNN Brasil, 11 dos nomes citados pelos investigadores seriam ligados à Família Terror do Amapá (FTA), apontada como uma facção relacionada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), enquanto outro teria ligação com o Comando Vermelho. A investigação também aponta que parte dos citados teria relação com o tráfico de drogas.
Para a Polícia Civil, o conjunto dos casos levanta suspeitas sobre uma possível infiltração do crime organizado na estrutura administrativa do município. Os investigadores afirmam que a presença de pessoas apontadas como integrantes de facções na folha municipal não poderia ser tratada apenas como uma falha administrativa isolada.
A apuração alcança diferentes áreas da administração pública e envolve tanto cargos de confiança quanto outros vínculos funcionais. Entre os nomes mencionados está Jesaias Silva e Silva, que ocupou a Subsecretaria de Zeladoria entre 2022 e 2024. Ele foi preso pela Polícia Federal em 2024, durante a Operação Herodes, sob suspeita de participação em uma articulação eleitoral armada, e permanece preso preventivamente, segundo a investigação.
Outro caso citado é o de Amanda Camila Pimentel, apontada pela Polícia Civil como uma liderança da FTA. De acordo com a investigação, ela manteve vínculo formal com a Prefeitura de Macapá entre 2023 e 2025 e atualmente está presa.
Na área da saúde, os investigadores identificaram o caso de Valdilene Viegas da Silva, presa por tráfico de drogas em operações policiais e que teria sido contratada em 2025 como assistente social da Secretaria Municipal de Saúde.
A investigação também examina situações nas quais os vínculos não aparecem de forma clara nos registros oficiais. Benedita de Nazaré Gomes Batista, apontada pelos investigadores como integrante da chamada “sintonia feminina” da FTA, aparece em uma relação de pagamentos da Companhia de Transportes e Trânsito de Macapá (CTMac) referente a dezembro de 2025. Segundo a Polícia Civil, ela não consta no cadastro de servidores do município, circunstância que levou os investigadores a questionarem a natureza do vínculo e a prestação efetiva dos serviços.
Outro nome citado é o de Magda Steffani Costa dos Santos, condenada por tráfico e apontada pela Polícia Civil como operadora financeira da facção. Ela é casada com Tiago Pantoja Borges, conhecido como “Espeta”, identificado pelos investigadores como uma das lideranças da FTA.
Em uma audiência judicial obtida pela CNN Brasil, Magda afirmou possuir contrato com a Prefeitura de Macapá. A investigação ainda procura esclarecer qual função ela teria desempenhado. Ela também responde a uma ação penal relacionada a suspeitas de lavagem de dinheiro.
As informações surgem poucos dias depois de o Tribunal Regional Eleitoral do Amapá cassar o diploma do suplente de vereador Luanderson de Oliveira Alves, conhecido como “Caçula”, por abuso de poder econômico relacionado ao uso da estrutura e do domínio territorial da FTA nas eleições municipais de 2024. A decisão também declarou sua inelegibilidade por oito anos.
A defesa de Dr. Furlan nega qualquer relação do candidato com organizações criminosas. Em nota, ele afirmou que as nomeações realizadas durante sua administração seguiram os procedimentos legais e administrativos exigidos, incluindo a apresentação das certidões previstas para cada tipo de vínculo.
O ex-prefeito também declarou que parte dos cargos de confiança era preenchida a partir de indicações de vereadores, deputados e outras lideranças políticas, sempre condicionadas ao cumprimento das exigências legais.
Dr. Furlan ainda afirmou ser vítima de perseguição política em razão de sua posição nas pesquisas eleitorais e citou declarações do delegado Estefano da Silva Santos, titular da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco-AP). Segundo o candidato, o delegado declarou publicamente que as investigações conduzidas pela unidade não apontam qualquer indício de ligação dele com facções criminosas.
A CNN Brasil informou que procurou as defesas das pessoas citadas na investigação e aguarda manifestações. A Prefeitura de Macapá também foi procurada.
O caso permanece no âmbito das investigações, e as suspeitas apresentadas pela Polícia Civil ainda dependem da apuração dos fatos e das eventuais responsabilidades individuais.