
O Ministério Público do Maranhão solicitou à Justiça o afastamento do vice-governador Felipe Camarão (PT) do cargo, em meio a uma investigação que apura suspeitas de irregularidades financeiras e possível envolvimento em práticas de lavagem de dinheiro. O pedido, encaminhado ao Tribunal de Justiça do estado, eleva a tensão política local e amplia o desgaste entre o vice e o governador Carlos Brandão.
A solicitação foi apresentada pelo procurador-geral de Justiça, Danilo José de Castro Ferreira, com base em indícios levantados ao longo das apurações. Segundo os autos, há suspeitas de movimentações consideradas incompatíveis com a renda declarada, além da utilização de terceiros para intermediar operações financeiras e aquisição de patrimônio.
De acordo com a investigação, valores que somam milhões de reais teriam sido movimentados por meio de uma rede de pessoas próximas ao vice-governador, incluindo familiares e integrantes de sua equipe de segurança. Parte desses recursos teria sido direcionada à compra de imóveis de alto padrão na capital maranhense.
Em manifestação pública, Felipe Camarão (PT) afirmou que não teve acesso integral ao processo e criticou o vazamento de informações, classificando a situação como uma tentativa de desgaste político. Ele também declarou que não aceitará o que chamou de perseguição travestida de atuação institucional e ressaltou sua trajetória na vida pública.
O pedido de afastamento ocorre em um momento decisivo para o cenário político do Maranhão, próximo ao prazo de desincompatibilização para as eleições. Caso a medida seja acatada, a mudança pode alterar a dinâmica da sucessão estadual, em meio ao distanciamento político entre Camarão e o governador Carlos Brandão.
Nos bastidores, o rompimento entre os dois grupos já vinha se consolidando ao longo do mandato, com divergências sobre a condução política e a definição de candidaturas para 2026. A eventual saída do vice da linha de sucessão pode impactar diretamente os movimentos estratégicos dentro do governo estadual.
Felipe Camarão integra o grupo político ligado ao ex-governador Flávio Dino, hoje ministro do Supremo Tribunal Federal, e era apontado como um dos nomes cotados para a disputa ao governo. A fragmentação da base governista no estado tem provocado rearranjos e ampliado a incerteza sobre a formação de alianças.
A decisão sobre o afastamento ainda será analisada pela Justiça, enquanto o caso segue sob investigação e com repercussão crescente no cenário político maranhense.