Novo decreto de Trump dificulta permanência de estudantes estrangeiros nos EUA

Medida limita a duração dos vistos F-1 a quatro anos, encerrando sistema vigente há cinco décadas e aumentando a incerteza para universitários internacionais e programas de Optional Practical Training.

Novo decreto de Trump dificulta permanência de estudantes estrangeiros nos EUA

O governo do presidente Donald Trump anunciou uma nova regra que limita a permanência de estudantes estrangeiros nos Estados Unidos a, no máximo, quatro anos. A medida altera o sistema de “Duration of Status” (D/S), que permitia aos estudantes permanecer no país pelo tempo necessário para concluir cursos de graduação, mestrado e doutorado, além de utilizar o programa Optional Practical Training (OPT), que autoriza trabalho temporário após a graduação.

Com a mudança, qualquer estudante que precise estender a permanência deverá solicitar formalmente ao governo americano, e a aprovação estará sujeita à análise das autoridades migratórias, podendo ser negada mesmo que o aluno esteja regularmente matriculado. A decisão impacta principalmente estudantes de pós-graduação e doutorado, que frequentemente têm cursos com duração superior a quatro anos.

Especialistas apontam que a medida deve afetar o fluxo de talentos internacionais em setores estratégicos da economia americana, como tecnologia, bancos e pesquisa. Empresas como Google, Meta, Microsoft e Amazon dependem do OPT para contratar recém-formados antes de patrocinarem vistos de trabalho permanentes.

Universidades alertam que a restrição pode reduzir a competitividade das instituições americanas frente a países como Canadá, Reino Unido e Austrália, prejudicando o ingresso de estudantes e pesquisadores qualificados. Além disso, a regra também limita a permanência de jornalistas estrangeiros, reduzindo o prazo do visto da categoria I para 240 dias, com exceção de profissionais chineses, cujo limite será de 90 dias.

A medida reflete a política mais ampla de Trump de controlar rigorosamente a imigração legal e reforçar a fiscalização sobre vistos temporários para estudantes e profissionais estrangeiros, ampliando o escrutínio sobre universidades, programas humanitários e demais canais de entrada legal no país.