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Partido de Bolsonaro vai radicalizar no discurso religioso e topa apoiar PL da Dosimetria

Por Brasil no Centro Publicado em 25 de novembro de 2025 às 14:17 3 min de leitura
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Partido de Bolsonaro vai radicalizar no discurso religioso e topa apoiar PL da Dosimetria

O Partido Liberal decidiu entrar de vez no embate político após a prisão preventiva de Jair Bolsonaro. A legenda escolheu mirar no discurso religioso e transformar a detenção do ex-presidente em símbolo do que chama de intolerância contra cristãos. Ao mesmo tempo, o PL recoloca no centro do jogo sua antiga bandeira: aprovar uma anistia ampla para livrar Bolsonaro e seus aliados das punições relacionadas ao 8 de Janeiro.

A cúpula da sigla reuniu cerca de cinquenta parlamentares em Brasília na tarde desta segunda-feira, 24, em encontro que também contou com Michelle Bolsonaro e os filhos Flávio, Carlos e Renan. A reunião durou mais de duas horas e acabou com um recado claro. Segundo Flávio Bolsonaro, escolhido porta-voz do pai, o único objetivo estratégico do partido neste momento é a aprovação do projeto de anistia.

Para sustentar a narrativa, Flávio diz que Moraes teria atribuído peso desproporcional à vigília convocada por ele em frente ao condomínio onde Bolsonaro mora. O ministro considerou que o ato poderia facilitar uma eventual fuga. Flávio nega e afirma que a convocação tinha objetivo exclusivo de oração, acrescentando que houve criminalização do culto cristão. Ele pediu que lideranças religiosas redobrem a atenção diante do que chamou de ameaça às liberdades do país.

O discurso foi reforçado pelo senador Rogério Marinho, que sugeriu que o STF teria usado a vigília como eixo central da decisão, minimizando a violação da tornozeleira eletrônica confessada pelo próprio ex-presidente. Para o PL, a narrativa religiosa é mais eficaz para mobilizar a base e pressionar o Congresso.

O encontro também tratou das eleições de 2026. Flávio reafirmou que qualquer definição sobre candidaturas ou chapas depende exclusivamente da palavra de Bolsonaro. O senador disse ainda que pretende concorrer ao Senado no Rio de Janeiro e que seu nome não está colocado para sucessão presidencial.

Outro ponto decidido na reunião diz respeito ao STF. A bancada do PL se comprometeu a votar contra a indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso. A sigla tenta reforçar o discurso de enfrentamento ao governo Lula.

Carlos Bolsonaro encerrou a reunião apostando no clima político da América Latina. O vereador afirmou que vitórias recentes da direita em países vizinhos, como Argentina, Bolívia e Chile, podem influenciar diretamente a libertação de seu pai. Segundo ele, os ventos internacionais estariam mudando e abrindo caminho para decisões semelhantes no Brasil, embora não tenha detalhado quais casos estrangeiros usava como referência.

Para o PL, a prisão de Bolsonaro não é o fim de um ciclo, mas o início de uma guerra política que promete dominar Brasília nos próximos meses. O discurso religioso será a nova arma dessa estratégia.