Política com conteúdo. Centro com clareza.
quarta-feira, 28 de outubro
Assinar
Agora
Ana Elisa e deputados do PT pedem prisão de Flávio e inclusão na lista da InterpolSTF manda PF investigar suposta intervenção de grupo americano na eleição brasileiraKassab anuncia que PSD expulsará deputados que não apoiarem voto distrital mistoLula pode indicar Rodrigo Pacheco ao STF ainda em 2026Lula confirma apoio de PT a recondução de Alcolumbre e Motta no Congresso
Política

PF cancela passaporte de Flávio Bolsonaro, porém senador tem passaporte italiano que segue válido

Por Brasil no Centro Publicado em 27 de outubro de 2026 às 13:58 6 min de leitura
Compartilhar
PF cancela passaporte de Flávio Bolsonaro, porém senador tem passaporte italiano que segue válido

A Polícia Federal cancelou nesta terça-feira (27) os passaportes brasileiro comum e diplomático do senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na disputa presidencial de domingo (25). A medida foi executada por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após o parlamentar deixar de entregar os documentos dentro do prazo estabelecido pela Justiça.

O caso ganhou uma nova dimensão com a confirmação de que Flávio possui cidadania italiana desde 2023, segundo informações prestadas pelo governo da Itália. O reconhecimento da nacionalidade permite ao senador solicitar um passaporte europeu, embora ainda não exista confirmação pública de que o documento tenha sido efetivamente emitido e permaneça válido.

A eventual existência de um passaporte italiano não modifica a proibição de deixar o território brasileiro imposta pelo Supremo.

Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, a Polícia Federal cancelou os documentos brasileiros no sistema da corporação por volta do meio-dia desta terça-feira. O prazo concedido para a entrega física havia terminado às 11h, sem que o senador ou seus representantes apresentassem os passaportes.

A determinação judicial foi comunicada a Flávio na segunda-feira (26), quando agentes federais o abordaram após uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar em Brasília.

Além do recolhimento e cancelamento dos documentos brasileiros, Moraes determinou que o senador entregasse, em até 24 horas, eventuais passaportes emitidos por outros países.

A decisão também estabeleceu a proibição de deixar o Brasil e de manter contato com o advogado e empresário Willer Tomaz, investigado no mesmo procedimento que tramita no Supremo.

As medidas foram adotadas no âmbito de uma investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo operações financeiras relacionadas ao setor de apostas.

Flávio e Willer negam envolvimento em irregularidades.

Em vídeo publicado nas redes sociais na tarde de segunda-feira, o senador criticou a decisão de Moraes e afirmou que nunca havia considerado deixar o Brasil após sua derrota eleitoral.

O parlamentar associou a medida a declarações de seu irmão Eduardo Bolsonaro (PL), que defendeu publicamente a possibilidade de Flávio sair do país caso não vencesse a eleição presidencial.

Flávio afirmou que recorreria da decisão e anunciou que entregaria seus documentos, compromisso que não havia sido cumprido até o encerramento do prazo estabelecido pelo Supremo.

A informação sobre a cidadania italiana foi apresentada oficialmente pelo governo da Itália em resposta a um questionamento do deputado Angelo Bonelli, encaminhado à Câmara dos Deputados italiana em 2025.

Na resposta, a subsecretária do Ministério do Interior italiano, Wanda Ferro, confirmou que Flávio e Eduardo Bolsonaro tiveram a nacionalidade reconhecida em 2023. O processo foi realizado por meio da representação diplomática italiana no Brasil.

Outro irmão, Carlos Bolsonaro, também obteve o reconhecimento da cidadania, concluído em 2024.

As autoridades italianas informaram ainda que, até junho de 2025, não havia registro de pedido equivalente apresentado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

O reconhecimento da cidadania italiana permite a Flávio solicitar a emissão de um passaporte do país europeu, desde que sejam cumpridos os requisitos consulares.

Entretanto, cidadania e passaporte são documentos distintos. A nacionalidade reconhecida não significa, automaticamente, que o cidadão tenha solicitado e recebido um documento de viagem.

As informações disponibilizadas pelo governo italiano confirmam a cidadania do senador, mas não comprovam a existência de um passaporte italiano atualmente válido em seu nome.

A distinção é relevante porque a Polícia Federal brasileira pode cancelar documentos emitidos pelo Brasil, mas não possui competência para determinar diretamente o cancelamento de um passaporte expedido pelas autoridades italianas.

Isso não significa, porém, que um eventual passaporte europeu permitiria ao senador desconsiderar a decisão do Supremo.

A proibição de saída do território nacional continua válida independentemente da nacionalidade utilizada pelo parlamentar. O controle migratório brasileiro permanece sob responsabilidade da Polícia Federal, que deve cumprir as determinações judiciais em vigor.

Além do descumprimento do prazo para entrega dos documentos, a Polícia Federal passou a verificar informações sobre uma possível saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.

A apuração ganhou repercussão depois que o portal argentino Infobae publicou uma informação de que o senador teria cruzado a fronteira com a Argentina e seguido viagem em uma aeronave particular.

Até a tarde desta terça-feira, a informação não havia sido confirmada pelas autoridades brasileiras.

Segundo a CNN Brasil, a Polícia Federal procurou autoridades argentinas para verificar eventuais registros migratórios e realizou checagens em pontos de fronteira.

O governo da Argentina informou não ter identificado registro da entrada de Flávio pelas rotas migratórias regulares consultadas. Aliados do senador, entre eles Rogério Marinho (PL), negaram que ele tivesse deixado o Brasil.

A ausência de confirmação oficial impede concluir que o parlamentar tenha fugido ou descumprido a proibição judicial de sair do país.

A investigação que motivou a decisão de Moraes envolve suspeitas de movimentações financeiras irregulares relacionadas a empresas ligadas ao advogado Willer Tomaz.

Os investigadores procuram esclarecer a natureza da participação de Flávio em determinados registros bancários e possíveis vínculos com operações financeiras sob investigação.

O senador sustenta que mantém uma relação de amizade com Willer, mas nega participação em negócios irregulares. A defesa do advogado também contesta as suspeitas.

A decisão de restringir viagens e determinar a entrega dos documentos possui caráter cautelar e não representa condenação criminal.

Com o cancelamento dos passaportes brasileiros e a confirmação da cidadania italiana, o caso passou a envolver também a possibilidade de existência de documentos estrangeiros.

Por enquanto, permanecem confirmados o reconhecimento da nacionalidade italiana desde 2023, o cancelamento dos passaportes brasileiros e a ordem judicial que impede Flávio Bolsonaro de deixar o território nacional.

A existência e a validade de um eventual passaporte italiano, assim como o paradeiro atual do senador, ainda dependem de esclarecimentos oficiais.