Política com conteúdo. Centro com clareza.
domingo, 18 de outubro
Assinar
Agora
Flávio Bolsonaro tem 50,8% e Lula 49,2% no 2º turno, aponta pesquisa FuturaFlávio Bolsonaro tem 50,5% e Lula 49,5% no 2º turno, aponta pesquisa CNT/MDAMeta admite falhas que prejudicaram Lula e expõe recomendações irregulares de Flávio Bolsonaro nas redesTransição em Minas vira crise: Cleitinho cobra transparência de Simões diante de déficit de R$ 10,5 bilhõesIrmã de Vorcaro relata ameaças na prisão e diz que banqueiro quer revelar tudo sobre o caso Master
Política

PF revela que empresa de investigado por fraudes no INSS pagou voos de Flávio Bolsonaro na Europa

Por Brasil no Centro Publicado em 16 de outubro de 2026 às 12:49 4 min de leitura
Compartilhar
PF revela que empresa de investigado por fraudes no INSS pagou voos de Flávio Bolsonaro na Europa

Documentos obtidos pela Polícia Federal revelaram que uma empresa ligada ao setor de apostas esportivas e ao advogado Willer Tomaz, investigado por suspeitas relacionadas ao esquema de fraudes contra aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), custeou viagens em jatos executivos utilizadas pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) durante uma passagem pela Europa em 2025.

As informações foram divulgadas nesta sexta-feira, 16 de outubro, pela Folha de S.Paulo, com base em registros encontrados pelos investigadores. Os documentos identificam pagamentos realizados pela Cathedral Holdings S.A., empresa registrada em Portugal e vinculada à Rede Loto, operadora de apostas que recebeu autorização para atuar no mercado fluminense.

Entre os deslocamentos identificados está um voo realizado em 11 de abril de 2025, entre Lisboa, em Portugal, e Nice, na França, contratado junto à empresa de aviação executiva NetJets.

Outros dois trechos ocorreram em 23 de maio daquele ano, quando Flávio viajou acompanhado de familiares de Cascais, na região de Lisboa, para Nice, seguindo posteriormente para Paris.

A investigação aponta que a contratação das aeronaves foi realizada por meio de uma estrutura empresarial vinculada a Willer Tomaz, advogado que mantém relações pessoais com o senador.

Procurado pela Folha, Flávio confirmou a amizade com o empresário, mas rejeitou qualquer associação entre os deslocamentos e possíveis irregularidades financeiras. O candidato afirmou que relacionar uma amizade pessoal às suspeitas investigadas representa uma interpretação sem fundamento nos fatos.

A defesa de Willer também negou a existência de contrapartidas. Segundo os advogados, as viagens foram realizadas para lazer entre amigos e familiares, com despesas assumidas pelo empresário, sem qualquer benefício exigido em troca.

Os representantes de Tomaz sustentaram ainda que os pagamentos não partiram diretamente da operadora de apostas Rede Loto.

A empresa integra uma rede de negócios associada ao advogado e ao empresário Jorge Barbosa Dias. A Cathedral Holdings, responsável pelas contratações identificadas, possui vínculos societários com integrantes desse grupo empresarial.

Willer Tomaz é investigado no âmbito das apurações sobre possíveis movimentações de recursos provenientes de fraudes previdenciárias. Sua presença na investigação, entretanto, não significa que os valores utilizados nas viagens tenham origem ilícita.

Os registros sobre os voos também não demonstram, isoladamente, participação de Flávio Bolsonaro nas irregularidades investigadas ou a existência de contrapartida política.

A revelação amplia o interesse sobre as relações entre o senador, empresários do setor de apostas e agentes públicos responsáveis pela regulamentação desse mercado.

A Rede Loto recebeu autorização para operar apostas no Rio de Janeiro em maio de 2023, por meio de um procedimento conduzido pela Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj).

A autorização foi concedida durante a gestão de Hazenclever Cançado, nomeado para a presidência da autarquia pelo então governador Cláudio Castro (PL). Segundo a reportagem, a indicação de Cançado ao cargo teve participação de Flávio Bolsonaro.

O procedimento de credenciamento chamou atenção pela rapidez. A empresa apresentou sua documentação em abril e recebeu a autorização no mês seguinte.

Questionamentos sobre o processo chegaram a ser apresentados por outra empresa interessada, mas a Loterj sustentou que a operadora cumpria as exigências previstas no edital.

A investigação também identificou Willer Tomaz como beneficiário final de outra empresa contratada pela Loterj, que recebeu aproximadamente R$ 188 milhões entre junho de 2023 e agosto de 2026.

A relação empresarial e os contratos públicos são elementos examinados no contexto das apurações, sem que isso represente comprovação de irregularidades em todas as operações.

A divulgação dos voos ocorre na reta final da campanha presidencial, enquanto Flávio Bolsonaro disputa o segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcado para 25 de outubro.

Até o momento, as informações publicadas demonstram a utilização de aeronaves contratadas por uma empresa ligada a um investigado pela Polícia Federal. Não há comprovação apresentada nas reportagens de que o senador tenha recebido recursos provenientes das fraudes no INSS ou oferecido favorecimento político em troca das viagens.