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Políticos do Centrão que apoiaram Flávio já admitem compor governo Lula

Por Brasil no Centro Publicado em 27 de outubro de 2026 às 13:41 8 min de leitura
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Políticos do Centrão que apoiaram Flávio já admitem compor governo Lula

A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais provocou uma rápida mudança nas articulações políticas em Brasília. Menos de 48 horas depois de terem apoiado a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), dirigentes e parlamentares de partidos do Centrão já admitem negociar espaços no próximo governo e participar da construção de uma maioria parlamentar para o quarto mandato do petista.

As conversas envolvem principalmente integrantes do Republicanos, União Brasil e Progressistas, legendas que se aproximaram de Flávio durante a campanha, mas que agora discutem a relação com o Palácio do Planalto. MDB e PSD, que tiveram posicionamentos distintos entre seus diretórios estaduais no segundo turno, também participam das articulações.

Segundo informações divulgadas pelo g1, lideranças dessas siglas começaram a conversar sobre a possibilidade de coordenar sua atuação no Congresso Nacional. A movimentação ocorre em um cenário de fortalecimento do PL, que elegeu a maior bancada da Câmara dos Deputados e ampliou sua representação no Senado.

A reorganização partidária também foi confirmada em reportagens publicadas pela Folha de S.Paulo e pela CNN Brasil. Integrantes do Centrão avaliam a possibilidade de preservar ou ampliar sua participação na administração federal, mesmo após o apoio dado ao adversário de Lula.

O deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), ex-ministro da Saúde e ex-líder do governo Jair Bolsonaro, afirmou que a participação de partidos de centro na sustentação parlamentar faz parte do funcionamento do presidencialismo brasileiro.

Para Barros, o presidente eleito precisará negociar com diferentes bancadas para conseguir aprovar seu programa de governo. O parlamentar considera natural que partidos sem alinhamento ideológico integral com o PT participem de acordos voltados à governabilidade.

O deputado também lembrou que integrantes dessas legendas já mantêm relações políticas com o governo federal em diferentes estados, independentemente das posições adotadas por suas direções nacionais durante a eleição presidencial.

Um dos exemplos é o Republicanos. Embora a legenda tenha declarado apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), participou da campanha de Lula e manteve interlocução com o Planalto.

Outro caso é o deputado Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), que comandou o Ministério de Portos e Aeroportos no terceiro mandato e também apoiou a reeleição do petista.

A mudança de ambiente político ficou evidente nas manifestações divulgadas depois da confirmação do resultado eleitoral.

O presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, cumprimentou Lula e afirmou que o partido está disposto a apoiar iniciativas relacionadas ao crescimento econômico, à geração de empregos e à redução das desigualdades.

A posição representou um sinal de abertura ao diálogo institucional, embora não tenha estabelecido um compromisso formal de ingresso na base governista.

O MDB também reconheceu a vitória presidencial e defendeu que o novo mandato seja conduzido com atenção a todos os brasileiros, independentemente das escolhas feitas nas urnas.

Durante a campanha, a legenda liberou seus diretórios para apoiar diferentes candidaturas. A maior parte das estruturas estaduais se aproximou de Flávio, mas lideranças regionais mantiveram apoio a Lula.

No PSD, o presidente nacional Gilberto Kassab manifestou a disposição de manter uma relação institucional com o governo federal e apoiar propostas consideradas favoráveis ao desenvolvimento do país.

O partido havia adotado posição de neutralidade no segundo turno, embora dirigentes e parlamentares tenham participado individualmente das campanhas.

As declarações não significam que União Brasil, MDB e PSD tenham decidido integrar formalmente a coalizão presidencial. As negociações sobre cargos, ministérios e compromissos parlamentares ainda estão em estágio inicial.

A aproximação também está relacionada à nova distribuição de forças no Congresso Nacional.

O PL elegeu 121 deputados federais e se consolidou como a maior bancada da Câmara para a legislatura que começa em fevereiro de 2027.

O crescimento da legenda altera as condições de negociação entre os partidos e amplia a importância de alianças capazes de reunir diferentes setores do Legislativo.

No Centrão, dirigentes avaliam que uma atuação conjunta poderá fortalecer a participação dessas siglas nas decisões parlamentares e evitar que o crescimento do PL reduza sua influência sobre as principais votações.

Ao mesmo tempo, o governo Lula precisará construir maiorias para aprovar propostas relacionadas ao Orçamento de 2027, à política fiscal, à segurança pública e à implementação dos compromissos assumidos durante a campanha.

A possibilidade de uma coalizão mais ampla também é discutida por integrantes da própria base petista.

Segundo interlocutores ouvidos pelo g1, parlamentares próximos ao governo defendem que Lula amplie o diálogo com setores da direita democrática e apresente medidas econômicas capazes de reunir apoio para além dos partidos de esquerda.

Entre as prioridades mencionadas está a definição de uma agenda de ajuste das contas públicas, diante das preocupações com a trajetória da dívida federal e o custo das novas despesas anunciadas na reta final da eleição.

Uma eventual participação do Centrão no governo poderá envolver tanto compromissos em torno de projetos específicos quanto a ocupação de ministérios e outros postos da administração federal.

Reportagens da Folha de S.Paulo apontam, entretanto, que a aproximação poderá ocorrer por meio de grupos regionais e dirigentes individuais, sem necessariamente assegurar o apoio integral das bancadas desses partidos.

O movimento também alcança as disputas pelas presidências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

Hugo Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), participaram de uma reunião com Lula no Palácio da Alvorada nesta segunda-feira (26), um dia após a eleição.

Os dois apoiaram a reeleição do presidente, apesar de suas legendas terem declarado apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno.

A expectativa é que ambos atuem como interlocutores nas negociações com as bancadas do Centrão e busquem a recondução aos comandos das respectivas Casas em fevereiro de 2027.

No Senado, a disputa é acompanhada com atenção pelo governo diante da ampliação da presença de parlamentares ligados à direita.

Entre os nomes mencionados nas articulações está Rogério Marinho (PL-RN), aliado de Flávio Bolsonaro. O Planalto poderá apoiar a continuidade de Alcolumbre para preservar uma relação institucional considerada importante durante o atual mandato.

A aproximação dos partidos de centro com Lula também ocorre em meio às divergências provocadas pela reação de Flávio Bolsonaro ao resultado da eleição.

Após a derrota, o senador questionou a prorrogação do horário de votação determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, e anunciou medidas judiciais contra o resultado.

A declaração foi recebida com reservas por parlamentares do Centrão que participaram de sua campanha.

Segundo o g1, integrantes dessas legendas consideraram inadequado o tom adotado por Flávio e defenderam que eventuais questionamentos sejam tratados pelos procedimentos legais, sem comprometer o reconhecimento da decisão dos eleitores.

Dirigentes de União Brasil, Republicanos, MDB e PSD já haviam divulgado mensagens reconhecendo a vitória de Lula antes mesmo de qualquer definição sobre uma aproximação com o governo.

O próprio PL, presidido por Valdemar Costa Neto (PL), publicou uma nova versão de sua nota oficial reconhecendo o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral, embora tenha mantido cobranças por esclarecimentos sobre questões levantadas durante a campanha.

A reorganização política deverá avançar nas próximas semanas, paralelamente às decisões de Lula sobre a equipe ministerial que assumirá em janeiro de 2027.

O presidente reeleito terá de conciliar as expectativas dos partidos que estiveram ao seu lado durante a eleição com as novas conversas envolvendo legendas que apoiaram Flávio Bolsonaro.

Até agora, não há acordo anunciado sobre distribuição de ministérios ou adesão formal das direções partidárias à base governista.

As primeiras manifestações, entretanto, indicam que a derrota de Flávio abriu espaço para uma nova rodada de negociações entre o Executivo e o Centrão, com reflexos sobre a composição do governo e a organização das maiorias parlamentares no próximo mandato.