Prefeito e vice são presos no MA por desvio de mais de R$ 50 mi, 5 vereadores estão foragidos

Uma investigação conduzida pelo Ministério Público do Maranhão expôs um amplo esquema de corrupção instalado na Prefeitura e na Câmara Municipal de Turilândia, no interior do estado. Segundo as apurações, mais de R$ 56 milhões em recursos públicos foram desviados, sobretudo de áreas sensíveis como Saúde e Assistência Social.
A operação resultou na prisão preventiva do prefeito Paulo Curió e da vice-prefeita Tânia Mendes, além de empresários e servidores públicos. Cinco vereadores investigados seguem foragidos, suspeitos de integrar o núcleo político da organização criminosa.
De acordo com o Ministério Público, o esquema funcionava de forma estruturada e hierarquizada. O prefeito era apontado como líder do grupo, responsável por direcionar licitações, autorizar pagamentos sem comprovação de serviços e ordenar a destinação dos valores desviados. A prática mais recorrente envolvia a chamada “venda de notas fiscais”, em que empresas simulavam a prestação de serviços e devolviam grande parte dos recursos ao núcleo político.
A vice-prefeita Tânia Mendes teve papel central no braço empresarial da organização. Segundo a Justiça, ela atuava na intermediação de contratos e na movimentação financeira, conferindo aparência de legalidade às operações e facilitando a lavagem de dinheiro.
As investigações também identificaram o envolvimento da ex-vice-prefeita Janaina Soares Lima, ligada a empresas que receberam milhões do município. Parte dos recursos, segundo os autos, era desviada para fins pessoais e políticos, enquanto vereadores recebiam pagamentos periódicos para garantir apoio e silenciar a fiscalização legislativa.
O esquema contava ainda com um operador financeiro responsável por distribuir valores, criar empresas de fachada e utilizar laranjas para ocultar a origem dos recursos. Diversas empresas foram identificadas como beneficiárias de contratos incompatíveis com a realidade do município.
Os presos foram encaminhados ao sistema penitenciário em São Luís. Parte dos vereadores investigados teve a prisão convertida em medidas cautelares, enquanto outros seguem sendo procurados pelas autoridades.
O caso lança luz sobre a fragilidade dos mecanismos de controle local e reforça a urgência de transparência, fiscalização efetiva e fortalecimento das instituições para impedir que recursos públicos sejam apropriados por grupos políticos organizados.