Presidente do Flamengo alerta Lula para perda de votos por proibição às bets

Dirigentes de grandes clubes brasileiros passaram a pressionar o governo federal diante da possibilidade de novas restrições ao mercado de apostas esportivas. O argumento apresentado pelos clubes é que mudanças nas regras podem afetar diretamente milhões de apostadores cadastrados em plataformas autorizadas e também uma importante fonte de receitas para o futebol.
Entre os dirigentes que manifestaram preocupação está Luiz Eduardo Baptista, presidente do Flamengo. Segundo ele, existem cerca de 31 milhões de pessoas cadastradas em plataformas regulamentadas e uma parcela expressiva desse público acompanha o clube carioca.
“Ao menos metade deles torce para o Flamengo, seja no Rio, em Brasília ou no Nordeste”, afirmou o dirigente.
A manifestação ocorre enquanto o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia novas medidas para restringir as apostas, incluindo os chamados cassinos online. A discussão ganhou espaço nas últimas semanas e deve resultar em novas iniciativas do Executivo para aumentar o controle sobre o setor.
Os clubes não defendem, segundo Baptista, a ausência de fiscalização. A preocupação apresentada pelos dirigentes está relacionada principalmente a eventuais medidas que possam atingir o mercado regulamentado e, consequentemente, contratos de patrocínio e ações comerciais envolvendo as equipes.
As casas de apostas se tornaram importantes patrocinadoras do futebol brasileiro nos últimos anos, ocupando espaços em uniformes, placas de publicidade e transmissões esportivas. Uma mudança significativa nas regras de publicidade ou promoção poderia, portanto, alterar uma fonte relevante de receita para os clubes.
Baptista argumenta que o debate precisa diferenciar as empresas que atuam dentro das regras estabelecidas pelo governo das plataformas ilegais. Para o presidente do Flamengo, restringir indiscriminadamente o mercado regulamentado equivaleria a atingir também consumidores que utilizam serviços autorizados.
“Proibir o mercado regulado seria tratar como violência um hábito de diversão de uma parcela enorme da população”, afirmou.
A discussão acontece em um momento politicamente sensível para o governo federal, que avalia anunciar novas ações relacionadas às apostas nas semanas que antecedem a eleição. A equipe de Lula estuda medidas voltadas principalmente ao combate às plataformas consideradas ilegais e aos impactos das apostas sobre famílias de menor renda.
A pressão dos clubes acrescenta um novo elemento ao debate. Além dos consumidores, o setor esportivo acompanha de perto as decisões do governo porque mudanças nas regras podem afetar contratos comerciais, investimentos e o modelo de financiamento de parte das atividades dos clubes.
O governo ainda deverá definir o alcance das novas medidas e como pretende conciliar o combate às apostas ilegais com a manutenção de um mercado regulamentado e fiscalizado.