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Política

PSD lança Caiado, mas governadores evitam declarar apoio

Por Brasil no Centro Publicado em 2 de abril de 2026 às 15:02 3 min de leitura
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PSD lança Caiado, mas governadores evitam declarar apoio

O lançamento da pré-candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência da República escancarou fissuras internas no PSD e evidenciou a dificuldade da legenda em se apresentar como alternativa coesa no cenário nacional. Embora anunciado como nome do partido para disputar o Planalto, o governador de Goiás não recebeu manifestações públicas de apoio da maior parte dos governadores e lideranças da própria sigla.

A estratégia de construir uma candidatura situada entre os polos da política brasileira esbarra em alianças regionais já consolidadas. Parte do PSD mantém compromissos locais com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto outros quadros têm proximidade com o campo bolsonarista ou com a pré-candidatura de Romeu Zema.

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que o objetivo é posicionar o partido em um espaço de equilíbrio no debate nacional. Ainda assim, a consolidação desse projeto enfrenta obstáculos práticos dentro da própria estrutura partidária.

Ratinho Junior foi o único governador da legenda a declarar apoio imediato a Caiado. Já Eduardo Leite, que deixou o PSDB no ano passado e ingressou no PSD em busca de viabilizar seu projeto nacional, demonstrou incômodo com a definição. O gaúcho afirmou que o país precisa superar a polarização e sinalizou que há espaço para uma alternativa moderada, embora tenha adotado discurso conciliador após conversa com o colega goiano.

Outros governadores do PSD optaram pelo silêncio público. Em Sergipe, Fábio Mitidieri já declarou apoio à reeleição de Lula. Em Minas Gerais, Mateus Simões deve acompanhar Romeu Zema. Raquel Lyra, em Pernambuco, tende a adotar postura de neutralidade, mantendo diálogo com diferentes campos políticos. Marcos Rocha, em Rondônia, também não se manifestou.

Entre lideranças estaduais, o cenário repete a fragmentação. No Rio de Janeiro, Eduardo Paes disputará o governo com apoio do PT, reforçando alianças regionais que não necessariamente convergem com o projeto presidencial da legenda.

A situação revela o desafio de transformar o PSD em um polo nacional unificado. Ao mesmo tempo em que busca se apresentar como alternativa à polarização entre PT e bolsonarismo, o partido convive com interesses regionais que dificultam alinhamento automático em torno de uma candidatura própria.

Caiado, que se filiou ao PSD neste ano após deixar o União Brasil, terá agora a tarefa de construir pontes internas antes mesmo de enfrentar a disputa externa. Em um ambiente político marcado por extremos, a consolidação de uma via responsável e comprometida com estabilidade institucional depende, antes de tudo, de coerência interna e clareza estratégica.