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PSD de Eduardo Paes pede ao STJ afastamento de Cláudio Castro após prisão de vereador

Por Brasil no Centro Publicado em 18 de março de 2026 às 11:35 4 min de leitura
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PSD de Eduardo Paes pede ao STJ afastamento de Cláudio Castro após prisão de vereador

O embate político no Rio de Janeiro ganhou um novo e explosivo capítulo nesta terça-feira. O PSD, partido do prefeito Eduardo Paes (PSD), protocolou no Superior Tribunal de Justiça uma representação contra o governador Cláudio Castro (PL) em meio à crise provocada pela prisão do vereador carioca Salvino Oliveira, filiado à mesma legenda. No pedido, a sigla cobra a abertura de investigação e defende, inclusive, a possibilidade de afastamento cautelar do chefe do Executivo estadual.

A iniciativa também atinge o secretário de Polícia Civil do Rio, Felipe Curi, e o delegado Pedro Cassundé, apontados pelo partido como peças centrais na operação que levou à detenção do parlamentar na semana passada. Na avaliação apresentada ao STJ, houve uso indevido do aparato estatal, com indícios de abuso de autoridade, quebra de sigilo investigativo e tentativa de atribuição pública de culpa antes do fim das apurações.

A representação foi apresentada em nome do diretório estadual do PSD, presidido pelo deputado federal Pedro Paulo (PSD), e sustenta que a ação contra Salvino ultrapassou os limites da legalidade. O texto afirma que o episódio não pode ser tratado como um simples desdobramento policial, mas como um movimento com forte contaminação política, capaz de atingir o equilíbrio institucional e interferir diretamente no ambiente democrático do estado.

Segundo a petição, a operação teria sido conduzida sem base robusta para justificar as medidas adotadas contra o vereador. O partido também questiona a divulgação de conteúdos nas redes sociais por parte de autoridades estaduais logo após a prisão. Para o PSD, a exposição pública do caso, acompanhada de declarações categóricas e insinuações sobre vínculo com facção criminosa, reforçou a impressão de pré-julgamento e alimentou um ambiente de linchamento político.

O caso ganhou ainda mais repercussão porque, dias depois da prisão, Salvino Oliveira foi solto por decisão do Tribunal de Justiça do Rio. A defesa do vereador nega qualquer relação com grupos criminosos e alega que houve distorção de informações durante a operação. Um dos pontos centrais da controvérsia envolve a citação a movimentações financeiras consideradas atípicas. O parlamentar apresentou documento para sustentar que um dos valores mencionados se referia ao pagamento de um prêmio internacional ligado à Organização das Nações Unidas.

Na ação encaminhada ao STJ, o PSD argumenta que a conduta atribuída a Cláudio Castro, Felipe Curi e Pedro Cassundé pode configurar instrumentalização da estrutura de segurança pública para atingir adversários políticos. A sigla afirma que houve rompimento de sigilo e exposição indevida de elementos que nem sequer estariam consolidados de forma regular no processo no momento em que vieram a público.

O pedido agora aguarda distribuição a um ministro relator no Superior Tribunal de Justiça. A partir daí, caberá à Corte avaliar se há elementos suficientes para abertura de apuração formal e eventual adoção de medidas cautelares. O episódio amplia a tensão entre o Palácio Guanabara e o grupo político de Eduardo Paes, num momento em que o Rio já vive forte polarização entre forças locais e nacionais.

A nova ofensiva judicial do PSD aprofunda a crise entre aliados e adversários no estado e recoloca no centro do debate os limites da atuação política sobre estruturas de investigação. Em um ambiente já marcado por desconfiança institucional e sucessivos confrontos entre grupos de poder, o episódio reforça a percepção de que o Rio entra de vez em uma temporada de disputa aberta, com efeitos que vão muito além do caso de um vereador.