
O PSDB oficializou o nome de Marcelo Maranata como seu pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul em 2026, marcando uma tentativa explícita de reposicionamento político após um período de perdas relevantes no estado. O anúncio ocorre em meio à saída do governador Eduardo Leite e de dezenas de prefeitos tucanos para o PSD, movimento que reduziu a musculatura partidária, mas não arrefeceu o discurso de reconstrução interna.
Para Maranata, a confirmação da pré-candidatura simboliza mais do que um passo eleitoral. Representa, segundo ele, a disposição do PSDB de reassumir um papel ativo no debate estadual, com uma agenda própria e distante tanto da polarização nacional quanto da continuidade automática do atual governo gaúcho, apesar de o partido ainda integrar sua base formal.
O pré-candidato defende que o projeto tucano para o Estado deve se concentrar em áreas estratégicas como atração de investimentos, fortalecimento do agronegócio, melhoria da logística e avanço nos indicadores educacionais. A proposta, afirma, é apresentar uma alternativa de gestão com foco em resultados e desenvolvimento, em um cenário no qual múltiplas candidaturas disputam o eleitorado de centro.
Com Maranata, o PSDB se torna a sexta sigla a lançar nome ao Palácio Piratini. A lista já inclui MDB, PDT, PL, PP e PT, o que amplia a fragmentação do campo político e torna a formação de alianças um fator decisivo. A direção tucana admite que, sem coligações consistentes, a viabilidade eleitoral ficará comprometida, e por isso intensificou conversas com partidos menores e abriu canais de diálogo com outras legendas.
O presidente estadual do PSDB e vereador de Porto Alegre, Moisés Barboza, classificou o ato de lançamento como uma resposta direta às análises que apontam o esvaziamento do partido no Rio Grande do Sul. Em seu discurso, reforçou que a legenda busca resgatar suas origens no Estado e se alinhar ao posicionamento nacional de oposição ao governo federal.
Mesmo com o MDB já tendo pré-candidato próprio, o evento contou com a presença do prefeito da capital, Sebastião Melo, que destacou a relevância de pautar os desafios da Região Metropolitana no debate estadual. Para ele, a entrada de Maranata na disputa contribui para ampliar o leque de propostas em discussão.
Paralelamente à corrida pelo governo, o PSDB articula uma pré-candidatura ao Senado com a ex-governadora Yeda Crusius. A definição, segundo a cúpula partidária, depende de ajustes de agenda pessoal, mas é vista como peça-chave para reforçar a presença tucana na eleição de 2026.
Apesar do tom de retomada, o lançamento também evidenciou fragilidades. Entre os parlamentares eleitos em 2022, apenas o deputado federal Daniel Trzeciak participou do encontro. A sigla reconhece que terá uma estrutura mais enxuta na próxima campanha, mas aposta na clareza programática e na afirmação de identidade política como caminhos para reconstruir sua relevância no Estado.