PT processa Nikolas por atentado contra a pátria, após pedido de intervenção militar dos EUA

Após memes e declarações que relativizam intervenção estrangeira, partido aciona PF e amplia ofensiva judicial contra bolsonaristas

PT processa Nikolas por atentado contra a pátria, após pedido de intervenção militar dos EUA

O PT decidiu endurecer a reação política e jurídica após declarações de parlamentares da direita que, na avaliação do partido, cruzaram a linha da crítica política e passaram a normalizar a intervenção militar estrangeira no Brasil. O alvo principal da nova ofensiva é o deputado federal Nikolas Ferreira, acusado de atentado contra a soberania nacional depois de publicar conteúdos que sugerem uma ação externa semelhante à que resultou na prisão de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.

A iniciativa foi formalizada pelo líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, que protocolou representação junto à Polícia Federal pedindo investigação criminal contra Nikolas. Para os petistas, a publicação de montagens e declarações que admitem a possibilidade de intervenção estrangeira configura traição à pátria e afronta direta à Constituição.

O movimento ocorre em meio à repercussão internacional da captura de Maduro e à tentativa de setores da direita de associar o PT e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao narcotráfico latino-americano. Segundo o partido, essas narrativas são falsas, difamatórias e ganham gravidade adicional por circularem em ambiente pré-eleitoral, com alto engajamento nas redes sociais.

Além de Nikolas, o PT incluiu na estratégia judicial outros nomes do campo bolsonarista. O senador Flávio Bolsonaro é citado por declarações anteriores que, segundo os petistas, sugerem ataques estrangeiros em território brasileiro. Já Eduardo Bolsonaro é lembrado por articulações internacionais que resultaram em ação penal no STF, sob acusação de pressionar instituições brasileiras no exterior.

A ofensiva jurídica também alcançou o vice-governador paulista Felício Ramuth, processado após classificar o PT como “narcoafetivo”, e o deputado Paulo Bilynskyj, acionado por associar Lula e o partido ao tráfico de drogas em vídeos nas redes.

Nikolas reagiu afirmando que publicou apenas um “meme” e que não defendeu explicitamente a prisão do presidente. Ainda assim, declarou aceitar a hipótese de intervenção externa para punir criminosos, o que reforçou, para o PT, o argumento de que há uma tentativa deliberada de banalizar a quebra da soberania nacional.

Nos bastidores do Congresso, a avaliação é que a disputa deve se intensificar em 2026, com a judicialização do discurso político e a soberania nacional se tornando um dos eixos centrais do embate entre governo e oposição.