Política com conteúdo. Centro com clareza.
segunda-feira, 28 de setembro
Assinar
Agora
Medidas de Lula às vésperas da eleição exigem ajuste de R$ 33 bilhões no Orçamento de 2027Trump e Xi anunciam avanço comercial e envio de pandas aos EUA após encontro em WashingtonGreve da Caixa: agências retomam atendimento parcial após decisão do TSTLula tem 39% e Flávio 34% no 1º turno, diz pesquisa QuaestGilmar Mendes cobra investigação sobre precatórios do Banco Master e cita contrato de R$ 427 milhões
Política

Putin acusa líderes europeus de se prepararem para uma guerra com a Rússia

Por Brasil no Centro Publicado em 19 de setembro de 2026 às 15:43 4 min de leitura
Compartilhar
Putin acusa líderes europeus de se prepararem para uma guerra com a Rússia

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta sexta-feira (18) que alguns líderes europeus estariam se preparando para um eventual confronto militar com Moscou. A declaração foi feita durante uma reunião sobre o programa estatal de armamentos da Rússia e ocorre em meio ao agravamento das tensões entre Moscou, Ucrânia e países europeus que apoiam Kiev.

“Alguns líderes europeus estão declarando abertamente que estão se preparando para uma guerra com a Rússia”, disse Putin, segundo a imprensa internacional. O presidente russo também afirmou que as iniciativas adotadas por esses países não estariam produzindo os efeitos esperados e voltou a criticar a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

A declaração acontece enquanto governos europeus ampliam medidas de proteção diante da continuidade dos ataques russos contra a Ucrânia. Nos últimos dias, países do flanco oriental da aliança militar elevaram o nível de atenção diante de episódios envolvendo drones, infraestrutura e áreas próximas às fronteiras da Otan.

A Polônia, em particular, colocou sua aviação militar e seus sistemas de defesa aérea em estado de prontidão neste sábado (19), depois de uma nova onda de ataques russos contra território ucraniano. A operação preventiva foi encerrada posteriormente sem registro de violação do espaço aéreo polonês.

O primeiro-ministro polonês Donald Tusk (Plataforma Cívica) também alertou nos últimos dias para o risco de ataques russos com drones ou mísseis contra países da Otan. Segundo ele, informações compartilhadas por aliados indicam uma preocupação crescente com possíveis ações híbridas contra integrantes da aliança.

Tensão aumenta no leste europeu

A sequência de episódios ocorre enquanto a guerra entre Rússia e Ucrânia entra em uma nova fase de pressão militar e diplomática. Ataques russos recentes atingiram diferentes regiões ucranianas, incluindo áreas de infraestrutura energética e logística. A Polônia chegou a mobilizar aeronaves militares durante uma dessas ofensivas, embora não tenha identificado violação de seu espaço aéreo.

Ao mesmo tempo, Varsóvia anunciou sua entrada em uma coalizão internacional voltada ao desenvolvimento de sistemas de defesa contra mísseis balísticos, ao lado da Ucrânia e de outros países parceiros. O governo polonês também informou que prepara um novo pacote de apoio a Kiev.

A França também anunciou medidas para reforçar a proteção de instalações consideradas estratégicas. O presidente Emmanuel Macron afirmou que ameaças híbridas russas, incluindo ataques cibernéticos e operações com drones, exigem maior proteção da infraestrutura crítica europeia.

O movimento europeu ocorre paralelamente à continuidade do apoio militar à Ucrânia e à discussão sobre novas sanções contra Moscou. Nesta sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), sancionou uma ampla legislação destinada a ampliar a pressão econômica sobre a Rússia, atingindo setores como energia e defesa.

Putin fala durante eleições parlamentares

As declarações de Putin ocorreram no primeiro dia das eleições parlamentares russas, realizadas entre 18 e 20 de setembro. O presidente russo apresentou a votação como uma demonstração de apoio da população às Forças Armadas e ao esforço de guerra.

A disputa eleitoral, contudo, ocorre em um ambiente político restrito. A maioria dos candidatos abertamente contrários à guerra não conseguiu participar da eleição, e organizações independentes apontam limitações significativas à competição política no país.

Putin também acusou a Ucrânia de tentar interferir no processo eleitoral russo e afirmou que Kiev estaria dificultando as negociações para uma saída para o conflito. O governo ucraniano rejeita as acusações e sustenta que eleições presidenciais não podem ser realizadas enquanto vigorar o estado de emergência provocado pela invasão russa.

A troca de acusações ocorre enquanto os combates continuam e os países europeus reforçam suas estruturas de defesa. Para além da retórica entre Moscou e governos ocidentais, os movimentos militares registrados nas últimas semanas aumentaram a preocupação com a possibilidade de o conflito produzir novos episódios que atinjam diretamente integrantes da Otan.