Quaest: 49% consideram Lula desonesto, 42% consideram Flávio

A nova pesquisa Quaest mostra uma diferença na percepção dos eleitores sobre a honestidade dos dois principais nomes testados na disputa presidencial de 2026. Segundo o levantamento, 49% dos entrevistados consideram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desonesto, enquanto 42% fazem a mesma avaliação sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Na direção oposta, 28% dizem considerar Lula honesto, ante 23% que atribuem a mesma característica a Flávio. A pesquisa foi realizada entre 10 e 13 de setembro, com 2.004 entrevistas presenciais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03607/2026.
O levantamento mede a percepção dos eleitores sobre os candidatos e não constitui, por si só, comprovação de qualquer conduta ou irregularidade atribuída a eles. A diferença de sete pontos entre Lula e Flávio está acima da margem de erro da pesquisa.
Entre os demais nomes avaliados, o grau de desconhecimento é significativamente maior. A maioria dos entrevistados afirmou não conhecer o suficiente Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (União Brasil), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) para formar uma opinião sobre a honestidade deles. No caso de Renan Santos, esse percentual chega a 86%.
Percepção sobre Lula varia conforme perfil do eleitor
A avaliação negativa sobre Lula apresenta diferenças importantes de acordo com o perfil dos entrevistados. No Sudeste, 61% consideram o presidente desonesto, enquanto no Nordeste o percentual cai para 32%.
A percepção também varia por faixa etária. Entre os eleitores de 16 a 34 anos, 55% fazem avaliação negativa sobre a honestidade de Lula. O índice fica em 52% entre aqueles de 35 a 59 anos e recua para 40% entre os brasileiros com 60 anos ou mais.
O levantamento também identifica diferenças segundo escolaridade e renda. Entre os entrevistados com ensino fundamental, 38% consideram Lula desonesto. O percentual sobe para 59% entre aqueles com ensino médio e chega a 58% entre os que possuem ensino superior.
Na divisão por renda, 38% dos eleitores que recebem até dois salários mínimos fazem essa avaliação. O índice sobe para 54% entre aqueles que recebem de dois a cinco salários mínimos e chega a 51% na faixa acima de cinco salários.
Entre os evangélicos, 59% consideram Lula desonesto, enquanto entre os católicos o percentual é de 45%.
Flávio também enfrenta avaliação negativa
No caso de Flávio Bolsonaro, a maior percepção de desonestidade aparece no Nordeste, onde 55% dos entrevistados fazem essa avaliação. O menor índice está no grupo formado por eleitores do Norte e do Centro-Oeste, com 32%.
Na divisão por religião, 45% dos católicos consideram Flávio desonesto, contra 33% entre os evangélicos.
Entre os eleitores independentes, 55% avaliam Lula como desonesto. No caso de Flávio, o percentual é de 41%.
Os dados foram divulgados em meio a investigações envolvendo pessoas próximas aos dois principais polos da disputa presidencial. No campo petista, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, é alvo de apurações relacionadas a suspeitas de tráfico de influência. Ele nega irregularidades.
No campo ligado ao bolsonarismo, Flávio é investigado no Supremo Tribunal Federal em um procedimento relacionado ao financiamento do filme “Dark Horse” e a recursos atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Flávio nega qualquer irregularidade e afirma que os recursos utilizados na produção eram privados.
A pesquisa também mostra que a percepção sobre honestidade ainda é fortemente influenciada pelo grau de conhecimento que o eleitorado possui sobre cada candidato. Enquanto Lula e Flávio apresentam índices elevados de avaliação, os demais nomes permanecem com parcelas expressivas de eleitores que afirmam não ter informações suficientes para classificá-los.
O resultado reforça que, além da intenção de voto, atributos pessoais e a imagem pública dos candidatos passaram a ocupar espaço relevante na disputa presidencial. A Quaest vem acompanhando esses indicadores ao lado de intenção de voto, rejeição e avaliação do governo, compondo um retrato mais amplo do cenário eleitoral de 2026.