Queda na aprovação e base rachada ampliam desafios de Lula no Nordeste

Avaliação positiva do governo recua na principal base eleitoral do petista enquanto disputas entre aliados se intensificam em estados estratégicos da região.

Queda na aprovação e base rachada ampliam desafios de Lula no Nordeste

A principal base eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começa a apresentar sinais de desgaste político às vésperas do próximo ciclo eleitoral. Levantamentos recentes indicam que a avaliação positiva do governo federal no Nordeste registrou recuo ao longo do atual mandato, enquanto disputas internas entre partidos aliados ampliam a complexidade do cenário político na região.

Dados do instituto Datafolha mostram que a aprovação da gestão federal no Nordeste caiu ao longo dos últimos anos. Em 2023, cerca de 49% dos entrevistados classificavam o governo como ótimo ou bom. No levantamento mais recente, esse índice passou para 41%. Ao mesmo tempo, a avaliação negativa avançou, refletindo um ambiente político mais competitivo em uma região que foi decisiva para o resultado da eleição presidencial de 2022.

O Nordeste foi o único bloco regional em que Lula conquistou ampla vantagem naquele pleito, obtendo uma diferença de milhões de votos em relação ao adversário. Esse desempenho foi determinante para o resultado nacional e transformou a região em peça central das estratégias eleitorais para os próximos anos.

Mesmo com a queda na aprovação, pesquisas indicam que Lula ainda mantém liderança na preferência do eleitorado nordestino em cenários simulados de disputa presidencial. Em levantamentos recentes, o petista aparece à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na região, embora a diferença tenha diminuído em comparação com o cenário observado na eleição anterior.

Além da oscilação nos índices de avaliação do governo, o presidente enfrenta outro desafio político relevante no Nordeste. Em diversos estados, partidos que compõem a base aliada passaram a disputar espaço nas eleições locais, criando tensões que podem fragmentar palanques regionais.

No Piauí, divergências internas entre grupos políticos ligados ao governador Rafael Fonteles (PT) e ao ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT) evidenciaram disputas sobre a sucessão estadual e a formação da chapa majoritária. O episódio refletiu tensões internas dentro do próprio partido na região.

Na Bahia, diferenças estratégicas também se tornaram públicas entre o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), ampliando a disputa por espaço político no estado que é considerado um dos principais redutos eleitorais do PT.

O cenário de competição entre aliados também aparece em outras unidades da federação. Em Pernambuco, a disputa entre lideranças locais envolve diferentes partidos da base governista, enquanto na Paraíba e no Maranhão articulações paralelas para a formação de chapas eleitorais têm criado novos pontos de atrito entre grupos políticos que, em tese, apoiam o mesmo projeto nacional.

Em alguns casos, o problema não é a falta de aliados, mas justamente o excesso de candidaturas vinculadas ao campo governista, o que pode fragmentar palanques estaduais e dificultar a construção de campanhas coordenadas.

Dirigentes partidários avaliam que a manutenção de alianças amplas continuará sendo um desafio central para o governo federal no Nordeste, região que historicamente exerce papel determinante no equilíbrio político nacional.

Com disputas locais já em curso e com a avaliação do governo apresentando oscilações, o Nordeste volta a se tornar um dos principais focos das articulações políticas que começam a moldar o cenário eleitoral brasileiro.