
A decisão da deputada federal Marina Silva de permanecer no partido Rede Sustentabilidade, sigla que ajudou a fundar, gerou uma série de críticas por parte da direção nacional da legenda. Em nota divulgada no último dia 7, o partido expressou indignação e perplexidade com a postura da ex-ministra do Meio Ambiente e acusou Marina de se recusar a dialogar com a liderança do partido. A resistência interna à sua permanência foi exposta ao longo da janela partidária, quando a própria Marina havia indicado que considerava a possibilidade de deixar a legenda. Contudo, em um movimento inesperado, ela anunciou sua decisão de continuar na Rede, afirmando que pretendia trabalhar na “restauração dos princípios e valores” da sigla, recorrendo ao manifesto de fundação do partido como base para essa escolha.
Durante a mesma comunicação, Marina também reforçou seu apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e à candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, além de formalizar sua pré-candidatura ao Senado. Ela ainda expressou sua intenção de fortalecer a aliança entre PT, PSB, PSOL, PV, PDT e PCdoB, partidos que, segundo ela, “não se deixam capturar pelo autoritarismo e pelo negacionismo”. Essa postura gerou ainda mais ruídos dentro do partido, já que muitos integrantes da Rede consideram que a sua atuação não tem sido compatível com os princípios do partido, especialmente diante da aproximação com siglas da esquerda mais radical.
O diretório da Rede, em sua nota de resposta, lamentou que as especulações sobre a saída de Marina partiam exclusivamente dela e de seu grupo. A legenda negou qualquer atitude de perseguição ou expulsão, destacando que Marina sempre teve espaço para suas divergências, mesmo em momentos de distanciamento, como quando ela apoiou a candidatura de Aécio Neves (PSDB) à presidência em 2014. A nota também criticou o uso do sistema judicial, citando o que o partido considerou como “lawfare” – o uso de processos judiciais para enfraquecer adversários em disputas internas.
O partido não poupou críticas ao comportamento de parte do grupo ligado a Marina, alegando tentativas de judicializar impasses políticos e bloquear contas da sigla. Embora a Rede tenha enfrentado algumas perdas, a direção da legenda destacou a entrada de novos membros como um sinal de crescimento orgânico, mencionando, por exemplo, a chegada dos deputados André Janones (MG) e Luizianne Lins (CE).
Com as eleições de 2026 se aproximando, o partido reafirmou seu compromisso com a candidatura de Lula e Haddad, e destacou que todas as decisões sobre apoios e candidaturas serão tomadas dentro do partido, com diálogo e bom senso, mas sem interferências externas. O diretório ainda fez questão de deixar claro que todas as divergências internas devem ser tratadas de forma estatutária e com respeito mútuo.